Nem o frio de 14 graus afasta os flanelinhas
Cláudio Osti
Todo jogo é um drama para quem vai de carro ao Estádio do Café. São tantos os flanelinhas na Avenida Henrique Mansano, que dá acesso ao estádio, que é impossível estacionar o carro sem ouvir aquele conhecido Posso cuidar aí, tio? Os preços variam de acordo com a cara do freguês. Vão de R$ 0,50 a R$ 5,00. Às vezes, mais caro que o ingresso.
Todos os espaços ficam loteados pelos flanelinhas. Pagamento, geralmente, adiantado, para garantir a segurança do veículo. Você se obriga a pagar, senão corre o risco de ter a lataria do carro danificada, diz o motorista Reginaldo Gonçalves. Tá errado, você não tem sossego. Você já paga o ingresso, atravessa a cidade... Se ainda fosse para ajudar o Londrina, vá lá... Mas o que acontece é um absurdo. Pior é você ter que pagar e, quando volta do jogo, cadê o flanelinha? Foi embora com seu dinheiro e não cuidou do carro coisa alguma, reclama Gonçalves.
Ontem à noite, com 14 graus de temperatura, poucos torcedores resolveram sair de casa para ver o segundo jogo da decisão entre Londrina e Portuguesa. Mas os flanelinhas estavam lá. Um deles é Abel Correia da Silva, 31 anos, viúvo. O flanelinha - que durante a semana ajuda a descarregar caminhão - disse que ganha de R$ 20 a R$ 30 guardando carros em dia de jogo. Tem gente que chia mesmo, né mano, mas eu tenho até freguesia certa, conta ele Silva. A gente prefere cobrar antes porque depois alguns não querem pagar.
Poucos metros distante de Abel estava Osvaldo Brito da Silva, 41 anos, com seu estacionamento particular reservado para os fregueses. Hoje acho que não vai dar nada não. Está vindo pouca gente ao estádio. Ele nega que pressiona os motoristas, mas confirma que alguns dos flanelinhas são violentos e ameaçam os donos de carros. O senhor conhece o Zezinho Negão? Um dia aqui ele brigou com outro flanelinha, o Davi, por causa de R$ 1,00 que ele tinha pego de um freguês e acabou morto, comenta Osvaldo.
O empresário Milton Cesar de Moraes é um dos que ficam preocupados toda vez que vai ao estádio. Você nunca sabe. Você é obrigado a pagar e mesmo assim o medo é voltar, depois do jogo, e ver o carro danificado. Hoje, tem muitos policiais por aqui e melhorou muito. Esperamos que o policiamento seja mantido também na Série B do Campeonato Brasileiro.





