São Carlos, SP - Foi sepultado ontem, debaixo de muitos aplausos, no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, em São Carlos (SP), o corpo de Nelson Prudêncio, duas vezes medalhista olímpico no salto triplo. Ele faleceu aos 68 anos ainda na madrugada vítima de um câncer de pulmão. O enterro contou com centenas de pessoas, incluindo, familiares, amigos e esportistas em geral.
A doença foi descoberta há apenas 15 dias e já estava em estado avançado. A morte repentina pegou a todos de surpresa e a despedida foi marcada por muita emoção. Arranjos de flores foram enviados por entidades, empresas, amigos e órgãos ligados à área esportiva. No velório, o clima foi de tristeza, mas as pessoas não deixavam de lembrar das muitas virtudes de Prudêncio e de sua dedicação em favor do atletismo brasileiro.
Histórico
''Quero agradecer a todos os brasileiros pelo apoio que me deram. Eu não desapontei o Brasil. Agora, por favor, deixem-me só que quero chorar. Acho que nunca chorei na minha vida, mas agora vou chorar''. Com essas palavras, Nelson Prudêncio se dirigiu aos repórteres que foram entrevistá-lo após a final olímpica do salto triplo dos Jogos do México, em 1968.
O brasileiro chegou a ser detentor do recorde mundial, ao registrar um salto de 17,27m, e saboreou a possibilidade de pendurar o ouro no peito. Ele havia voado para desbancar o italiano Giuseppe Gentile, que alcançou 17,22m. Mas o soviético Viktor Saneyev, em sua última tentativa, superou Prudêncio com uma marca ainda mais excepcional, de 17,39m, e se sagrou campeão olímpico.
De qualquer forma, Prudêncio inscreveu seu nome como um dos protagonistas de uma das mais fantásticas finais olímpicas de todos os tempos, ao longo da qual o recorde mundial foi registrado nove vezes no decorrer de quatro horas.
Em 1972, nos Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha, conquistou outra medalha, o bronze, com a marca de 17,05m. Saneyev novamente levou o ouro (17,35m), seguido pelo alemão oriental Jörg Drehmel (17,31m).

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