Nelsinho Piquet não quer comparações
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sábado, 26 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília - Nelsinho Piquet diz que já deu um salto grande passando do kart para a Fórmula 3. Mas evita demonstrar entusiasmo com o título antecipado do Campeonato Sul-Americano (faltam quatro corridas para o final da temporada), repetindo comportamento do pai, Nelson Piquet, de quem recebeu cumprimentos sem muitos festejos pela conquista.
Herdeiro nas pistas do tricampeão mundial de Fórmula 1, o jovem piloto de 17 anos acredita que é difícil fazer uma comparação entre ele e seu pai. Nelsinho afirma que os tempos são outros, mas sonha em chegar aonde Piquet chegou.
Agência Estado Existe semelhança entre você e o seu pai nas pistas?
Nelsinho Piquet Teria de perguntar para alguém que está assistindo. Eu não acompanhava as corridas do meu pai, era pequeno. Uma coisa é ver uma pessoa de fora e outra é pilotar. Não dá para comparar piloto com piloto.
AE As comparações com o teu pai te incomodam?
Nelsinho Não. Meu pai foi um dos melhores, foi brilhante. Teve mais dificuldade de chegar aonde chegou e mesmo assim foi tricampeão mundial. Ser comparado a ele é coisa maravilhosa. Às vezes, pesa um pouco ser filho do Piquet. Mas na hora da corrida, eu praticamente esqueço, ignoro.
AE Você tem toda estrutura para desenvolver a carreira, mas costuma pôr a mão da graxa como fazia o seu pai?
Nelsinho Os tempos mudaram muito. Hoje, a gente pode entender, estudar, saber como funciona. Os carros se desenvolveram muito. Há um mecânico para cada parte. É diferente. Mesmo meu pai, se tivesse começado agora, dificilmente botaria a mão na graxa.
AE Ter uma grande estrutura por trás provoca inveja nas outras equipes?
Nelsinho Cria sim. Não é que a gente tem uma estrutura melhor. Nossa equipe não é comercial como as outras. O que a gente ganha do patrocinador, gasta no projeto. Eles ganham 10 e gastam 7 no carro. O resto vai para o bolso, para ganhar dinheiro. A gente desenvolve mais o carro e eu treino muito mais.
AE Você treina mais do que os outros pilotos, por contar com um autódromo à sua disposição em Brasília?
Nelsinho O autódromo está à disposição de qualquer um. É só reservar, pagar e andar. Agora, se tiver gente querendo treinar de graça, achando caro, aí, fica fora.
AE Você não é igual a seu pai. Ele falava o que bem entendia.
Nelsinho Se ele voltasse no tempo, faria diferente, se contralaria mais. Percebeu que poderia ter feito uma imagem boa. Hoje, atende todos jornalistas, está sempre querendo agradar. Naquele tempo da F-1 era difícil, o clima bem estressante.
AE Como você se prepara psicologicamente para chegar a esta fase?
Nelsinho Os tempos mudaram. A F-1 virou o que está assinado no papel, tem de ser daquele jeito, tem que andar na linha, senão está fora. Na época dele, era mais liberal. Hoje, é mais rígido. Ainda vou chegar lá um dia. Tenho o meu tempo, tenho de passar muito tempo.
AE Num esquema destes, você se comportaria igual ao Rubens Barrichello?
Nelsinho Dependeria da situação. Se estivesse no começo ou no final da carreira. Numa equipe boa ou ruim. Depende de milhões de coisas. Mas se estivesse no lugar de Rubinho deixaria o Schumacher passar. Rubinho é um piloto muito bom, para chegar aonde chegou. Não é qualquer um. Mas o Schumacher é bem melhor que ele, está na cara. Ele já fez o contrato sabendo que um dia teria de fazer isso. Se não aceitasse, estaria numa equipe menor.
AE Não é frustrante ser o segundo piloto sempre?
Nelsinho Quando estiver na F-1, quero ser o mais rápido e treinar muito para ser o primeiro piloto. Se Deus quiser vou mostrar o máximo que puder para subir devagar e sempre.


