São Paulo - Não é à toa que Héverton era uma das figuras de confiança de Nelsinho Baptista na Ponte Preta. Antes mesmo de ter contato com o treinador no Corinthians, o meia avisou: ''Ele não virá brigar para escapar do rebaixamento, e sim pensando em algo melhor''.
Em sua apresentação oficial como novo técnico do Timão, Nelsinho, que já exerceu o cargo em três oportunidades e conquistou dois títulos (Brasileiro de 1990 e Paulista de 1997), mostrou que ainda tem sintonia com o jogador, artilheiro da Macaca na Série B sob seu comando.
''São exatamente 62 dias de trabalho e nós pensamos em uma classificação para a Sul-americana. Pensamos em subir. A Libertadores está complicada, mas temos possibilidades matemáticas de conseguir a vaga na Sul-americana e vamos brigar por ela'', avisou. ''Se estivesse pensando apenas em fugir do rebaixamento, não teria vindo'', completou.
Para chegar à Sul-americana, o Corinthians, atualmente com aproveitamento de 41% dos pontos, teria que alcançar 65% nas 11 últimas rodadas, o que seria possível com sete vitórias, uma apenas a menos do que a equipe conquistou nas primeiras 27 rodadas do torneio.
O complicado cálculo para chegar à competição continental, no entanto, não assustou o novo treinador alvinegro. ''Em 2002 eu assumi o Goiás na última colocação e ganhamos 21 pontos seguidos, quase chegando à fase de mata-mata. Por que o Corinthians não pode?''
Questionado se a má passagem pelo Santos ainda o incomoda, foi duro: ''Se estou voltando aqui é porque tenho méritos e qualidades. Não fico chorando o leite derramado e acho que tenho mais lembranças boas do que más''.
Contrato - Apesar de ter assinado contrato com o Corinthians apenas até dezembro de 2007, Nelsinho Baptista não se considerou desrespeitado com o acerto incomum. ''Foi honesto da parte do Corinthians e da minha parte. Não foi um contrato enfiado goela abaixo e não vejo desrespeito. Eu não precisaria trabalhar até o final do ano, mas vim porque tenho um passado vitorioso e acredito que posso ajudar''.
Segundo Nelsinho, o fato de o clube ter pleito eleitoral marcado para o próximo dia 9 de outubro foi determinante para que o tempo do acerto não ultrapassasse o final da temporada. ''Eu poderia ter exigido um contrato de um ou dois anos, mas a situação pode mudar depois das eleições. E aí, o que faríamos? Ficaríamos presos ao contrato? Já tive problemas com sucessão e não quero ter mais'', ressaltou.
Nelsinho trouxe consigo o filho Eduardo Batista, preparador físico que o acompanha desde o ano 2001, e também Gustavo Sales Bueno, que exercerá dupla função na nova comissão alvinegra. ''Ele será auxiliar na preparação física e também meu auxiliar'', explicou Nelsinho.

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