O estilo combativo de Jefferson, um dos principais reforços do grupo atual do Londrina, já se sobressai nos primeiros treinamentos do renovado time que o técnico Paulo Comelli vai mostrar na Série A-2 do Campeonato Paranaense. O futebol sério e sem firulas do volante lembra o jeito de Amaral, especialmente nos tempos que o corintiano era do Palmeiras.
No entanto, Jefferson Luiz da Silva, de 22 anos e 1,81 metro de altura, que nasceu em São Vicente, litoral de São Paulo, é capaz de jurar que nunca imitou ninguém. ‘‘Sou eu mesmo’’, define o jogador. Uma das qualidades que o caracterizam, admite, é a simplicidade no toque de bola. ‘‘Não sou de inventar nada.’’
Jefferson admite que a gagueira - para ele, incontrolável - o atrapalha na hora das entrevistas para as emissoras de rádio ou de televisão. ‘‘Se dependesse de mim, nem colocariam os microfones na minha frente. Depois de uma derrota, meu sangue esquenta muito mais. Aí a fala desaparece. Acho que preciso procurar um médico ou um psicólogo pra corrigir o problema’’, supõe o craque.
A situação mais constrangedora, lembra Jefferson, ocorreu em Ponta Grossa. Um repórter de rádio tentou entrevistá-lo, mas o volante não conseguiu pronunciar uma única palavra. Ao ouvir a pergunta, a língua travou. Silêncio absoluto. Era como se a rádio saísse do ar. ‘‘Que coisa chata aquilo...’’
Jefferson interrompeu os estudos muito cedo. Concluiu apenas o curso primário. Aos 8 anos, já o chamavam de o ‘neguinho bom de bola’ dos campinhos esburacados de São Vicente. Ainda menino, mudou-se para Campo Grande-MS. A mãe Marilu Alves Sobral, viúva, trabalha até hoje como doméstica. E batalhou muito para criar os seis filhos.
Aos 14 anos, Jefferson iniciou a carreira no infantil do Operário de Campo Grande. Aos 17, profissionalizou-se no Comercial-MS. Na temporada 95/96, transferiu-se para o Ponta Grossa. No ano seguinte, defendeu o Coritiba na Taça São Paulo de Juniores e, em 98, retornou ao Ponta Grossa, transformando-se em um dos ‘carrascos’ dos 5 a 0 que praticamente levaram o Londrina ao rebaixamento.
‘‘Como a vida é engraçada... Agora estou aqui. Nunca me passou pela cabeça que o Londrina, grande como é, pudesse cair para a segundona. Mas essa camisa é forte. Vamos subir depressa’’, promete Jefferson.

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