Negrete estava com maus pressentimentos
São Paulo - Dentro de uma barraca na montanha mais alta do mundo, a 7,7 mil metros de altitude, o alpinista Vitor Negrete deu notícias sobre sua condição quatro dias antes da sua morte. Uma série de acontecimentos ruins o colocaram em dúvida se deveria continuar ou não a escalada.
Tivemos hoje (dia 15) a confirmação da morte do inglês David Sharp, que fazia parte do nosso grupo. Isso abalou muito a mim em especial e fiquei em dúvida se deveria continuar subindo ou não. Também vi um garoto da Malásia que congelou todos os dedos da mão (...) Quando cheguei no acampamento 2, todos os nossos equipamentos foram roubados. Não sei o que mais pode acontecer de más notícias neste dia, declarou o brasileiro, em seu último depoimento à Rádio Eldorado, segunda-feira, dia 15 de maio.
Esta foi a segunda vez que Negrete chegou ao cume do Everest. O alpinista alcançou o topo da montanha em 2 de junho de 2005, ao lado do seu atual parceiro, Rodrigo Raineri, 37 anos. Em agosto de 2004, Negrete e Ranieri formaram a primeira dupla brasileira a escalar a face sul do Aconcágua, considerada a mais difícil e perigosa do monte mais alto das Américas, com 6.962 metros.
Em seu currículo de conquistas, Negrete subiu duas vezes pela rota direta, o Glaciar dos Polacos, no Aconcágua, além de montanhas bolivianas como Illimani, de 6.490 metros.
A paixão pelos esportes radicais não se limitava ao alpinismo. Em 1993, Negrete atravessou a selva amazônica de bicicleta, em uma aventura de dois meses pela Transamazônica e no ano seguinte pedalou de Porto Alegre até Ushuaia, através da Cordilheira dos Andes. (A.E.)





