Um boi, quatro bodes e oito galos foram entregues anteontem pelo Naútico (PE) ao babalorixá Pai Edu, como quitação de uma dívida contraída pelo clube em 1968 com Zé Pilintra (entidade do candomblé). Naquele ano, os então dirigentes do clube haviam prometido a oferenda caso o time fosse hexacampeão estadual. O título foi conquistado, mas a promessa não foi cumprida.
Livre desta pendência e da superstição dos que atribuíam os problemas do clube a esse débito, a direção do Náutico espera superar uma longa crise que culminou com o seu rebaixamento à Série C do Brasileiro em 98.
Depois do hexa, o Náutico - atual vice-líder do campeonato - só conseguiu ganhar quatro títulos estaduais, o último deles em 1989. Desde então, vem afundando em dificuldades.
O conselheiro Paulo Regueira, que entregou a ‘‘encomenda’’ ao babalorixá, disse que todas as religiões devem ser respeitadas.
Além dos animais, o clube também providenciou outros ingredientes exigidos pelo babalorixá, como 12 litros de aguardente, 1 litro de uísque, pimenta malagueta, sal, cebola, facas-peixeiras, azeite de dendê, farinha de mandioca e mel de abelha.
Pai Edu, que iria realizar o ‘‘despacho’’ e a cerimônia de sacrifício dos animais ontem à noite, não garantiu o título estadual deste ano. ‘‘A dívida era muito antiga’’, explicou. Em 1981, o babalorixá já havia recebido, com um atraso de 15 anos, um outro boi do clube como pagamento de uma outra dívida, pelo tetracampeonato de 1966.
Sem se limitar à proteção do candomblé, o Naútico também foi atrás das bênçãos católicas. Antes do início da campanha, o técnico Artur Neto levou um padre ao campo para fazer uma palestra e abençoar os jogadores.
O pagamento da dívida com o babalorixá não impediu um assalto à sede do Náutico ontem à tarde, realizado por três homens. Eles só levaram o revólver do presidente do clube, Josemir Correia, mas feriram no braço do funcionário Pedro Tibúrcio, que se submeteu a uma cirurgia no início da noite.

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