A lutadora de taekwondo Natália Falavigna, que representará Londrina na Olimpíada de Pequim na categoria acima de 67 kg, está fazendo um programa específico de treinamento separada dos demais atletas da Academia Fernando Madureira, pela qual luta.
Ela tem feito de um sala localizada na Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML) o seu refúgio de concentração e preparação. É lá que recebe a maioria dos integrantes da sua equipe de apoio, que inclui o seu técnico e treinador da seleção brasileira, Fernando Madureira, o auxiliar Nicolas Pigozzi, a preparadora física Lilian Barazetti, além do psicólogo, massagista e nutricionista.
Mas uma personagem ilustre que não aparece na lista é talvez a que mais vem contribuindo para a sua preparação de luta, funcionando como uma espécie de ''sparring'' de Natália. Não se trata daquelas lutadoras iniciantes, que apenas ajudam o atleta a pegar ritmo para as competições. Pelo contrário, ela é uma das mais gabaritas da modalidade e foi ninguém menos que a primeira brasileira a representar o taekwondo do Brasil em Olimpíadas. É a londrinense Carmem Carolina e Silva, 28 anos, formada na mesma academia onde Natália começou, a Pequeno Tigre, do técnico Clóvis Aires.
Carmem lutou em Sydney-2000 e ficou três anos fora do taekwondo depois de ter perdido a vaga na Olimpíada de Atenas-2004. ''Eu fiquei doida da vida e para esquecer, decidi fazer outra coisa totalmente diferente. Me mudei para a Inglaterra para trabalhar e larguei o taekwondo'', conta Carmem, que só recentemente retornou ao esporte e está no Brasil desde o final do ano. Após defender Piracicaba (SP), neste ano, ela vai coordenar e lutar por uma equipe em Rio Claro (SP).
Como sua família e a sua filha moram em Londrina, Carmem Carolina, que compete na categoria até 57 kg, está frequentemente na cidade e tem treinado alguns períodos na AFML, a pedido de Natália.
''Para mim, é fundamental ter uma parceira como a Carmem para treinar, não só em razão da bagagem internacional que ela carrega, mas principalmente porque é uma atleta mais baixa e isso me ajudará muito na hora em que for lutar contra as menores, como é o caso da (mexicana) Maria Espinoza (atual campeã mundial, que bateu Natália tanto no Mundial da China quando no Pan do Rio, ambos no ano passado)'', argumentou a paranaense.
Natália admite que encontra dificuldade de lutar contra atletas baixas, pelo fato do tempo de chute e o ritmo de luta serem diferentes. ''A Carmem é um pouco menor que as minhas adversárias, mas é rápida e forte como elas. Então dá uma boa 'briga''', afirma Natália, que esta semana embarca para a China para um teste olímpico em Pequim.
Ela vai com o restante da delegação olímpica brasileira e depois participará do Alemanha Open, um dos muitos torneios internacionais que disputará este ano. ''O calendário de competições que a nossa confederação (CBTkd) conseguiu para 2008 está muito bom e me ajudará na busca da medalha em Pequim'', finalizou.

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