Natália sente o gosto amargo da derrota
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terça-feira, 17 de julho de 2007
Bruno Chazan<br> Agência Estado 
Rio - Um golpe sofrido quando faltavam cerca de 30 segundos para o final da luta acabou com o sonho de Natália Falavigna de conquistar sua primeira medalha de ouro em Jogos Pan-Americanos. A paranaense acabou ficando com a prata, após perder a final da categoria acima de 67 quilos do tae kwon do, na tarde de ontem, para a mexicana Rosario Espinosa.
A decisão se encaminhava para o fim, quando a brasileira, que administrava a vantagem de 1 a 0, aplicou um chute praticamente ao mesmo tempo que a adversária. Mas os árbitros validaram apenas o da mexicana. Desconcentrada, Natália Falavigna levou novo golpe logo aos oito segundos do tempo extra e perdeu o título no golden point.
Foi a segunda derrota seguida dela para Espinosa - a primeira aconteceu nas semifinais do Campeonato Mundial, em maio, na China. Ao deixar a arena montada no Pavilhão 4 do Riocentro, Natália, mesmo abalada, conseguiu balbuciar algumas palavras para as emissoras de TV. Ao desligar as câmeras, porém, a brasileira não se segurou e caiu num choro copioso. Sentou-se no chão de uma área reservada aos atletas e ali ficou por minutos, soluçando, sob o consolo solidário de alguns voluntários do CO-Rio.
Depois, refeita, a lutadora paranaense de 23 anos retomou as entrevistas, em que tomou o máximo de cuidado para não atribuir o resultado à decisão dos juízes. Não conseguiu. ''Não gosto de reclamar da arbitragem, mas poderia ter sido diferente. Deveria ter feito três ou quatro pontos para não depender dos juízes, porque sei que o ser humano sempre está sujeito ao erro'', lamentou Natália.
A Confederação Brasileira, no entanto, se revoltou com o resultado e entrou com recurso, negado depois de consulta aos juízes laterais. Mas Natália já não se preocupava com uma eventual reversão da derrota. Como Diogo Silva, campeão na categoria até 68 quilos e dono do primeiro ouro brasileiro no Pan do Rio, ela aproveitou a atenção da mídia para reclamar das condições de trabalho oferecidas pela entidade.
''Precisamos de mais apoio. Temos uma equipe fantástica, mas falta quem possa bancar essa equipe'', disse Natália, que também não recebe o bolsa-atleta. Vive do salário de R$ 600, pago com atraso pela Confederação, e uma ajuda de custo da sua patrocinadora, Bombril, que não chega a R$ 1 mil.
Natália paga por conta própria preparador físico, nutricionista e fisioterapeuta. ''Preciso de um incentivo privado para que na próxima vez possa chorar de alegria'', avisou a atleta.
Nenhum dirigente da Confederação Brasileira de Tae Kwon Do se manifestou sobre o assunto.


