Natália já é esperança de medalha para 2008
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terça-feira, 31 de agosto de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A taekwondista Natália Falavigna e seu técnico Clóvis Aires foram recebidos com muita festa por familiares e amigos, ontem, no Aeroporto de Londrina. A quarta colocação nos Jogos Olímpicos de Atenas, na categoria pesado, acima de 67 quilos, transformou Natália em esperança de medalha para o Brasil na Olimpíada de Pequim, em 2008. A frustração por não subir ao pódio olímpico não foi suficiente para suplantar a alegria pelo desempenho na Grécia, mesmo com uma lesão no pé esquerdo.
Natália venceu duas lutas contra a australiana Tina Morgan e contra a belga Laurence Rase , mas perdeu na semifinal para a campeã olímpica de Sydney, Zohong Chen, que conquistou o ouro também em Atenas. Em seguida, venceu a repescagem contra a italiana Daniela Castrignano, porém foi superada na disputa do bronze pela venezuelana Adriana Carmona, terceira colocada no Mundial de 2001.
A atleta nunca disse publicamente, mas mantinha a expectativa de voltar com uma medalha. A situação começou a se complicar após sofrer uma contusão no pé esquerdo durante os treinos, a poucos dias de estrear nos Jogos. A princípio, os médicos chegaram a cogitar a possibilidade de fratura. ''Fiquei dois dias sem sair do quarto, só fazendo fisioterapia. Na ressonância magnética ficou constatada, somente, uma lesão. Competi com muitas dores. Na última luta nem conseguia fixar o pé no chão'', explicou.
''Os dois dias que fiquei sem treinar não foram responsáveis pelo resultado final. Eu estava bem preparada para a disputa. O mais difícil foi trabalhar o aspecto psicológico. Algumas pessoas olhavam meu pé e não acreditavam que conseguiria lutar. Mas sempre mantive a calma.''
Além da lesão, Natália não contou com a sorte no sorteio das chaves de disputa. Seu técnico, Clóvis Aires, acredita que se a atleta tivesse caído na outra chave teria condições de chegar à final. ''A lutadora francesa que ficou com a prata estava em um nível inferior'', frisou. Já Natália prefere não se lamentar. ''Eu gosto de desafios. Talvez se tivesse caído na chave mais fácil não teria lutado tão bem'', ressaltou a atleta. ''Sou jovem e quero disputar mais uma Olimpíada'', declarou a atleta de 20 anos.
Além da quarta colocação de Natália, o taekwondo brasileiro teve Diogo Silva, na mesma colocação, na categoria pena, em Atenas. Segundo Aires, ''foram dias de choro e alegria para chegar ao topo do esporte.'' Natália acredita que se os investimentos forem maiores, os atletas brasileiros têm condições de lutar em igualdade de condições com os melhores.


