Depois de uma breve, mas intensa participação nas Olimpíadas de Londres, em que perdeu na primeira luta para a sul-coreana Lee In Song e sofreu uma fratura no tornozelo direito, a taekwondista Natália Falavigna já está de volta a Londrina. Com o pé imobilizado, mas bem humorada, ela conversou com a reportagem da FOLHA e embora admita ter ainda a derrota ''engasgada'' na garganta, se mostrou animada com o próximo ciclo olímpico.
Antes de pisar em solo londrinense, a atleta fez uma escala em São Paulo, onde passou por avaliações médicas da lesão. A fratura já é certa, mas os exames apontam também a possibilidade do rompimento de um tendão, o que, se for confirmado, exigirá um processo cirúrgico. Nos próximos dias, ela deverá realizar exames mais detalhados em Londrina.
A lesão no tornozelo foi ocasionada logo no primeiro minuto da luta entre a brasileira e a sul-coreana, realizada no sábado (13). A atleta lembra que, após abrir uma vantagem de pontos, entrou em uma troca de golpes com Song. Depois de pisar no pé da adversária, que se esquivou, acabou caindo com o peso do corpo no próprio pé.
''Foi uma dor muito forte, mas na hora eu estava concentrada e fui vendo o que podia fazer, tentando várias formas de manter minha base e fazer os golpes'', conta a taekwondista, que venceu o primeiro round, mas acabou sendo derrotada com o placar final de 13 a 9.
Mesmo voltando de Londres sem medalha e lesionada, a lutadora classificou o último ciclo olímpico como vitorioso. No início de 2011, ela passou pela segunda cirurgia no joelho direito e depois da recuperação e classificação para os Jogos Olímpícos, precisou correr contra o tempo, em 2012, para se preparar para a competição. ''Lutei muito pouco antes das Olimpíadas e 'judiei' bastante do meu corpo. Mas, ao contrário de muitas previsões, participei dos Jogos. As coisas não saíram com eu queria, mas por um caso isolado, a minha lesão'', frisa a medalhista de bronze nos Jogos de Pequim, em 2008.
Se Natália tem uma frustração é a de não ter tido a chance de mostrar tudo o que tinha preparado para as Olimpíadas. Ela cita golpes diferenciados, truques e alterações de chute que o público não pôde assistir dessa vez. Mas no que depender da sua vontade, foram apenas adiados para as próximas competições.
Ela já se diz focada para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, e se anima com o fato de que, depois de mais essa lesão, terá bastante tempo pela frente. ''A única coisa que um ser humano não consegue recuperar é o tempo e isso agora eu tenho bastante'', destaca.
Para 2013, ela planeja participar do máximo de lutas que for possível, tanto campeonatos abertos, como os de maior importância, como a etapa do Mundial de Taekwondo a ser realizado no México, por exemplo.
Além da correção de pequenos erros, ela estuda uma mudança para o ano que vem: partir para outra categoria de peso, no caso até 67 kg. Com peso médio variando entre 68 e 69 kg, a atleta estaria entre as competidoras mais pesadas da categoria. ''Meu biotipo vem mudando um pouco e poderia ser algo bom pra mim, principalmente na categoria olímpica'', afirma. ''Ainda está em estudo isso, mas ultimamente estou gostando de desafios'', ressalta.
Desafios que ela pretende enfrentar como lutadora e com a cabeça erguida. ''Na filosofia do taekwondo existe a ideia de 'Espírito Indomável' e antes de ser atleta você é um lutador. Sempre é difícil, mas o que me orgulha é saber que sempre levanto a cabeça''.

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