São Paulo - O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) está de olho nas medalhas que o taekwondo poderá conquistar para o Brasil, principalmente no Pan-Americano do Rio, em 2007. A modalidade, sozinha, pode trazer até oito medalhas para o País e não exige altos investimentos. Os resultados do Mundial de Madri, encerrado domingo, ajudam. Natália Falavigna (até 72 quilos) fez história com o primeiro ouro no feminino. No masculino, depois de dez anos sem conquistas, Márcio Wenceslau (até 62 quilos) ganhou a medalha de prata. O Brasil terminou em quinto lugar na classificação geral, entre 120 países.
Para Natália, 20 anos, ''tudo deu certo'' no Mundial, da concentração e o trabalho com o mestre coreano Pan Sun Chun até a permanência na Espanha durante o campeonato. ''Soa muito bonito quando as pessoas falam da medalha. Mas foi a primeira vez que ficamos num hotel ao lado do ginásio, que sabíamos onde comer, que a equipe pôde treinar, fez concentração com conforto... Se houver investimento, ajuda para os atletas, os resultados aparecem'', afirma a atleta.
''Muitos atletas já foram a Mundiais só com a passagem no bolso'', lembra o técnico da seleção permanente, Carlos Negrão. Desta vez, o COB pagou a viagem para Madri, R$ 122 mil, segundo a CBTkd (viajaram 16 atletas). A confederação garante que também acertou os salários atrasados dos atletas da seleção, a título de ajuda mensal.
Apesar de lutar há seis anos, Natália teve de contar várias vezes com a ajuda financeira da família, principalmente a dos pais, Ana Maria e Manoel. Como antes da Olimpíada de Atenas, no ano passado. ''Minha mãe me perguntou o que eu precisava para ter sucesso no esporte e eu disse: 'De uma medalha olímpica.' Meu pai me deu dinheiro, fiquei com parte da herança da minha avó, meus tios, meus primos, padrinhos, todos ajudaram. Sustentaram o meu sonho e me mandaram sonhar alto'', conta Natália, quarta colocada em Atenas.
A atleta, que foi prata no Mundial e na Olimpíada universitários e na Copa do Mundo, ganhos em 2002 e 2003, não queria ficar de novo em segundo. ''Não podia ser prata outra vez'', diz a bela e charmosa Natália, do alto de seu 1,78 metro. ''Costumam me perguntar se jogo vôlei ou handebol. Ninguém acha que sou lutadora.''

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