Uma atleta de bem com a vida pelo momento atual, mas com a cabeça ocupada com planos futuros que chegam à Olimpíada de 2012, que será realizada em Londres. Essa é a lutadora de taekwondo Natália Falavigna que desembarcou na tarde de ontem no Aeroporto de Londrina. Trazendo no peito a medalha da última conquista -o primeiro lugar na categoria acima de 72 quilos na competição que reúne atletas universitários do mundo todo, a Universíade, disputada em Belgrado, na Sérvia - ela deixou a comemoração um pouco de lado e comentou os próximos passos de seu ''ciclo olímpico''.
Muito centrada, a lutadora de 25 anos tentou esconder a empolgação, auto-avaliando seu desempenho na Universíade com nota seis numa escala de zero a 10, mas não negou que esteja passando por uma evolução técnica. Depois de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, ela iniciou uma nova fase na carreira e trocou de treinador. ''Agora estou lutando mais solta'', sintetizou, referindo-se a um estilo mais arrojado que passou a adotar, diversificando muito mais os golpes. ''São pequenas mudanças no padrão de luta, mas que dificultam muito a reação da adversária. Eu estava presa a golpes de segurança, agora posso arriscar mais'', completa.
O que Natália chama de arriscar mais pode se resumir em utilizar golpes que visam a cabeça da oponente e chutes com giro. Nas novas regras do esporte, que começam a vigorar no segundo semestre, esses golpes passam a ter maior pontuação, passando de um para dois pontos o chute com giro e de dois para três o chute no rosto. Além disso, protetores eletrônicos, que informam aos árbitros se o atleta de fato foi atingido por um golpe estão passando por testes e logo devem começar a ser utilizados para valer.
Ainda falando em regras, a lutadora estuda também sobre qual categoria optar diante da notícia de que a faixa de peso mudará para o Campeonato Mundial de Taekwondo, que acontece em outubro, na Dinamarca. Atualmente ela se enquadra na categoria para atletas com mais de 72 quilos, que passará a ser para atletas com mais de 73 quilos, o que obrigará Natália a ganhar peso. ''Temos que analisar bem. Ainda não definimos se é vantagem ganhar peso ou se é melhor ficar na categoria entre 67 e 73 quilos'', explicou.
Na próxima semana, Natália defenderá a cidade de São Caetano (SP) nos Jogos Regionais de São Paulo. Segundo ela, uma boa oportunidade de competir. ''Os europeus levam vantagem por lutar muito mais que os brasileiros''. Questionada se a meta é voltar com uma medalha de ouro de Londres, ela preferiu dizer que o objetivo é chegar bem preparada até lá. Mas bem que a medalha dourada da Universíade caiu bem na atleta paranaense.

mockup