Nem a mão enfaixada por conta de uma provável fratura no dedo indicador esquerdo, nem um olho roxo foram suficientes para tirar do rosto da lutadora Natália Falavigna o largo sorriso. Ela desembarcou ontem no aeroporto de Londrina trazendo um outro objeto no peito, que a recompensa de qualquer machucado: a medalha de bronze conquistada no Mundial de Taekwondo, no último domingo, em Copenhage, na Dinamarca.
Natália chegou ontem à tarde à cidade. Muita gente foi ao aeroporto receber a medalhista olímpica, que ofuscou outros ilustres passageiros do mesmo vôo, como o cantor Sorocaba, da dupla Fernando & Sorocaba, a pré-candidata ao governo do Paraná, Gleisi Hoffmann, e o armador norte-americano Leonard Mosley, que ainda não é famoso, mas era aguardado em Londrina por ser o novo reforço da ADL/Sercomtel/Uninter.
''É sempre bom voltar e ter esse carinho. As vitórias, as medalhas são construídas com o suor de muita gente'', disse a taekwondista, que lutou oficialmente pela primeira vez usando os novos coletes eletrônicos, que passam a determinar as pontuações na modalidade.
Das quatro lutas que disputou na capital da Dinamarca, a paranaense perdeu somente a das semifinais. Na estreia no Mundial, Natália derrotou a croata Ivana Zagar por 2 a 1. Na sequência, bateu a canadense Daria Peregoudova por 1 a 0. Nas quartas de final, contra Fang Tsui, de Taiwan, ganhou graças ao golpe desferido pela rival em seu olho, que foi considerado pelos jurados antidesportivo. Na semifinal ela foi superada por 3 a 2 pela espanhola Rosana Simon Alamo, que ficou com o ouro na final, derrotando a chinesa Rui Liu.
O bronze foi consquitado na base da superação. Somente ontem que Natália revelou dois problemas que a atrapalharam no Mundial. Quinze dias antes do início da competição, ela participou de um evento para testar os coletes e acabou fraturando um dedo do pé. Além disso, na semifinal que definiria as atletas que disputariam a medalha de ouro, Natália levou um chute na mão e acabou sofrendo a lesão no dedo indicador da mão esquerda. Mesmo assim, perdeu a luta por apenas um ponto de diferença.
Por isso e por tudo o que enfrentou durante o ano, ela considera ótimo o resultado. ''Essa medalha tem um significado especial. É um ano de muitas mudanças. Mudei a equipe de técnica (trocou Fernando Madureira, que é técnico da seleção brasileira, por Walassi Aires), fiz cirurgia no tornozelo, tive fratura e, ainda assim estou batendo de igual para igual com as primeiras do ranking'', comemorou, lembrando que seu foco é a Olimpíada de Londres, em 2012. ''Tenho um foco mais à frente. Estou lutando bem e me soltando. Sei que esse foi um treinamento de luxo. Penso a longo prazo e arrisquei um ouro agora para trazer um outro no futuro. Provei que sou uma atleta que não volta para a casa sem resultados'', comparou a lutadora, que tem outras duas medalhas em Mundiais: de ouro, em Madri 2005, e de bronze, na China 2007.
Natália evitou de anunciar a lesão no pé antes do fim do Mundial para, segundo ela mesmo, não dar mais armas às adversárias. ''As notícias correm rápido e não queria informar as rivais sofre o problema, onde doía. Também precisava focar no Mundial. Treinei com muita dor, mas também com muita dedicação. Tinha dias que era muito difícil'', revelou a lutadora, que espera disputar muitos torneios em 2010 para pontuar no ranking mundial.

mockup