São Paulo - Quarta colocada nos Jogos Olímpicos de Atenas, Natália Falavigna sagrou-se campeã mundial de taekwondo na categoria até 72 quilos, ontem, na Espanha. Com cinco vitórias em cinco lutas, a paranaense de 20 anos tornou-se a primeira atleta do Brasil a ganhar ouro na competição máxima do taekwondo. Na final em Madri, Natália venceu a inglesa Sarah Stevenson.
''Confesso que ainda não caiu a ficha. Ainda não sei o que representa ser campeã do mundo, ainda mais nascendo em um País pouco tradicional no esporte'', disse Natália, que teve um final de competição dramático. ''Ganhei minhas três últimas lutas no 'golden point'. De certa forma, isso foi uma estratégia, já que algumas adversárias me ofereciam bastante perigo no tempo normal.''
Natália nasceu em Maringá, no dia 9 de maio de 1984, mas cresceu em Londrina. Seu grande ídolo na infância foi Aurélio Miguel, ouro no judô em Seul/1988. Dez anos depois, entrou nos tablados do taekwondo pela primeira vez. Em 2000, foi campeã mundial júnior, na Irlanda do Norte. Em 2001, já como adulta, ganhou prata no Mundial de Seul. No Mundial Universitário de 2002, em Nova York, foi bronze.
Desanimada com a falta de incentivo, Natália pensou em largar o taekwondo em 2003, arriscando-se no tênis. Apoiada pelas amigas, resolveu retornar aos tablados. Preparou-se com afinco para os Jogos Olímpicos e terminou na quarta colocação. A boa atuação na Grécia não foi suficiente para projetá-la: sem apoio, Falavigna pensou novamente em abandonar o esporte. No início deste ano, deixou Londrina e passou a treinar em Campinas (SP).
No final de março, Natália passou a integrar o programa ''Mulheres que Fazem o Brasil Brilhar'', desenvolvido pela Bombril para reconhecer e incentivar o esporte feminino brasileiro.
O novo treinador de Natália, José Palermo Júnior, o Tilico, comemorou, em Campinas, o resultado da paranaense. Ambos começaram a trabalhar juntos na primeira semana de 2005. ''É um dia histórico para o taekwondo brasileiro. A Natália merece. Ela é uma menina muito inteligente, que exige demais de si mesma e do próprio treinador'', resumiu Tilico, no taekwondo há 30 anos iniciou como atleta e é técnico há duas décadas.

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