Natação (Rogério Romero)
Natação (Rogério Romero)
Recorde mundial
para a Austrália
Os australianos, anfitriões dos próximos Jogos Olímpicos, desde as Olimpíadas de 1996 estão formando uma equipe que pretende arrebatar ao menos a maioria das medalhas de ouro em 2000, nadando em casa. Um fato que pode ser considerado como o primeiro passo foi o Mundial de Perth, no início deste ano. O segundo passo é o Commonwealth Games. Antes de mais nada, o que quer dizer esse campeonato? É nada menos que a maior competição multi-esporte depois das Olimpíadas, reunindo países do antigo império britânico, como Canadá e Austrália.
No primeiro dia de disputas, o garoto Ian Thorpe, de 15 anos, ficou a um centésimo do recorde mundial dos 200 metros livre, com 1min46s70. O recorde, o mais velho no masculino, pertence ao italiano Giorgio Lamberti, desde o Campeonato Europeu de 1989. Na mesma prova, Thorpe ficou à frente de outros três australianos: Michael Klim (1min48s05), Daniel Kowalski (1min48s26) e Matthew Dunn. O recorde mundial do revezamento 4x200 metros livre estava com seus dias contados, ou melhor, suas horas contadas.
No segundo dia, os quatro cangurus pularam na piscina e por 11 centésimos consagraram-se recordistas mundiais da prova. As parciais da prova: Thorpe (1min47s48), Kowalski (1min47s81), Dunn (1min49s15) e Klim (1min47s42). A previsão é de que a Austrália vença a maioria das provas no campeonato.
Jogos Abertos
A eterna briga entre municípios este ano no Paraná ficou mansa. Os Jogos Abertos do Interior, realizados em Cascavel, novamente trouxeram atletas de Curitiba (que não pode concorrer, já que é Capital) disputando por outra cidade, este ano por Cascavel. Os atletas do Clube Golfinho/Juventus ajudaram a cidade-sede a levar o título da natação no feminino e o vice-campeonato no masculino. Londrina, tradicionalmente a cidade que tem a equipe de natação mais forte do Interior, levou o título no masculino e o vice no feminino. Um fator deste resultado deve ser levado em conta e apresenta dois lados: a contratação de atletas. Penso sempre no lado positivo deste fator, pois é uma evolução para o esporte o atleta ser remunerado pelo trabalho, no caso, as disputas. A regra dos Jogos permite esta contratação e Cascavel, assim como outras cidades do Paraná e de São Paulo, nada mais fez que usufruir desta brecha. Eu mesmo já representei Londrina em Jogos Abertos anteriores. Outro lado deste fator é a desestimulação dos atletas locais, que, aliás, é relativo. Vamos pensar assim: se Gustavo Borges, por exemplo, viesse competir por Cascavel, quem acharia ruim? Se o atleta é de nível bom, está ganhando dinheiro com a natação e ainda por cima incentivando os atletas locais, não vejo o porquê de falar em desestímulo. É o caminho do esporte profissional que a natação deve percorrer, sem pular nenhum passo.
Costas x borboleta
Nado de costas mais rápido do que o borboleta: isso aconteceu graças a John Naber, ganhador de quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Montreal, em 1976. Na sua última conquista, Naber, então com 20 anos, bateu o recorde mundial dos 200 metros costas com 1min59s19, tornando-se o primeiro a baixar dos dois minutos, e ficando à frente, por 4 centésimos, do seu companheiro Mike Bruner nos 200 metros borboleta. Com este tempo, Naber seria medalha de prata no Mundial que aconteceu no início deste ano, e com a virada antiga... Mas nem tudo eram flores para o californiano altão, pois ele não gostou muito do sucesso repentino, e preferia ficar um pouco sozinho, ao contrário de ser colocado num pedestal. Hoje, como o norte-americano Rowdy Gaines (ex-recordista mundial dos 100 metros livre), ele é comentarista de uma rede de televisão.
Rogério Aoki Romero é nadador do Minas Tênis e 12 vezes medalha de ouro no Troféu Brasil de natação. Ele escreve sempre às quintas-feiras na Folha





