Natação (Rogério Romero)
Missão mais do que cumprida
Superando todas as expectativas, a equipe da natação no Pan bateu recordes, superou índices, ganhou sete provas e, com isso, firmou-se no cenário das Américas como a equipe a se ver, como declarou um técnico americano, impressionado com o entusiasmo dos nadadores dentro e fora da água! Vamos aos números: 7 ouros, 3 pratas, 5 bronzes, 5 recordes pan-americanos, 11 recordes sul-americanos, 2 recordes brasileiros, 5 índices para Atlanta. Ufa! Ah sim, não acabou. Agora o atleta mais medalhado (17) em Jogos Pan Americanos é Gustavo Borges e o que obteve mais vitórias (4) em uma edição, Fernando Scherer.
Sydney
Isto aumenta as esperanças para as Olimpíadas do próximo ano. Logicamente não vão surgir tantas medalhas assim, mas os atletas que fizeram os difíceis índices (8ª colocação em Atlanta) com certeza terão chance de chegar ao tão desejado pódio olímpico. As provas de velocidade, costas e revezamento já estão garantidas; a esperança, agora, é que este número cresça ainda mais na próxima seletiva, no final do ano.
Recordes
Não sobrou nenhum recorde meu para contar história depois desde Pan, mas eles foram batidos com classe. Nos 100m costas, Alexandre Massura Neto ficou em segundo, perdendo apenas para o prata em Atlanta, o cubano Rodolfo Falcon, e baixando em mais de um segundo o antigo recorde, com 55s17. Já nos 200m, Leonardo Costa foi o campeão com 1m59s33, baixando mais de 1.5s, e deixando para trás o talento precoce americano Aaron Piersol, mais jovem nadador do mundo a baixar da mítica marca dos 2 minutos.
Revezamentos
Mas o mais legal estava por vir. Quebrar a hegemonia dos Estados Unidos sempre é bom. Eles nunca haviam perdido o revezamento 4x100m medley, mas sempre tem uma primeira vez. O Brasil de Massura, Tomazini, Scherer e Borges detonou o recorde pan-americano. Também nos revezamentos livre (4x100 e 4x200) recordes caíram. Isto demonstra a evolução do esporte como equipe.
E agora?
Ainda tem a parte do marketing, comum a um esporte que quer se profissionalizar. Entrevistas na TV, reuniões com patrocinadores, coletivas, e, para finalizar, uma audiência com o presidente da República. Só então nossos heróis terão as merecidas férias para voltarem aos treinamentos mais animados que nunca. Com certeza este será o sentimento de muitos nadadores espelhados no grande sucesso de Winnipeg.
Campeonato Americano
Lenny Krayzelburg ameaçou os recordes mundiais dos 100m e dos 200m costas, fazendo respectivamente 54s00 e 1m56s68. Lenny é companheiro de treino de Leonardo Costa. No lado feminino, Jenny Thompson fez o mesmo nos 100m borboleta, marcando a segunda marca do mundo com 58s15. Nos 50m livre, um surgindo e outro se confirmando. Gary Hall Jr melhorou sua marca, com 22s13, mas o sul-africano Roland Schoeman, 19, foi ainda melhor. Com o rápido 22s04, ele agora tem a quarta marca do mundo.
Rogério Aoki Romero é nadador do Minas Tênis e 12 vezes medalha de ouro no Troféu Brasil de natação. Ele escreve sempre às quintas-feiras na Folha





