Natação (Rogério Romero)
Troféu Brasil
Mais uma vez o mais importante Campeonato Brasileiro teve como destaque o reforço dos estrangeiros. Vasco, Flamengo e Minas, os três primeiros colocados, tiveram em comum dois estrangeiros em cada equipe. E quem se deu melhor foi o vice-campeão Flamengo, contratando a holandesa Inge Bruijn e a húngara Krizstina Kovacs, que foram as duas atletas que mais pontuaram. Para se ter uma idéia de como elas fizeram pontos, sozinhas ficariam em quinto, entre os 37 clubes que pontuaram!
Recorde sul-americano
Isto tudo por causa do bônus para tempos inferiores aos recordes brasileiros e sul-americanos. Cada vez que um europeu batia um recorde sul-americano, seu clube levava mais 70 pontos de bonificação. Com isso, o Vasco, favorito indiscutível no papel, suou com seus dois ingleses para levar o título. A diferença foi mínima: 79 pontos, entre os dois clubes cariocas.
Recordes de verdade
O livro dos recordes sul-americanos está com seis novas marcas ao final do Troféu Brasil. As novas provas de 50 metros foram responsáveis por três deles. Nos 50 costas, com Fabíola Molina e Alexandre Massura Neto, e nos 50 peito com Patrícia Comini. Nos revezamentos 4x50 livre, Vasco no feminino e masculino. Para completar, o revezamento do Vasco da Gama estabeleceu nova marca continental no 4x100 4 estilos. Isto mesmo, clube batendo recorde de país!
Brasileiros
Marcelo Tomazini bateu por duas vezes o recorde nacional dos 200 peito, enquanto que Patrícia Comini fez o mesmo nos 100 do mesmo estilo, mostrando que o estilo mais fraco do Brasil está em plena evolução. Nos 400 medley, Fabíola Molina, que passou por um período em tratamento, baixou ainda mais seu próprio recorde. Outro recorde que merece destaque é um europeu, dos 50 livre, da rápida Bruijn.
De campeonato
Foi covardia. De cada quatro, um era batido. Apenas um de revezamento sobreviveu. E mais uma vez a dominância dos estrangeiros foi esmagadora. Hoje, das 32 provas individuais, nada menos que 14 recordes de campeonato pertencem a eslovaca, húngara, espanhola, holandesa ou ucraniano.
Os mais-mais
Não poderia ser diferente. Na premiação dos mais eficientes (quem marcou mais pontos) e melhores índices técnicos (melhores marcas individuais), estavam lá Inge Bruijn no feminino e Denis Silantyev no masculino. Na verdade, 14 entre as 20 melhores marcas foram obtidas pelos estrangeiros.
Onde parar?
Todos estes dados estão levando a comissão técnica a se perguntar sobre a validade de bonificação para alguns recordes. Por exemplo, a mesma Bruijn volta no final do ano e continua nadando abaixo do recorde sulamericano, dando pontos importantíssimos para seu clube, mas pode nem bater o recorde de campeonato, que pertence a ela do ano passado? Não é meio estranho? Por isso existe uma intenção de mudar - mais uma vez - as regras sobre estes pontos.
Clubes paranaenses
Foram apenas dois que representaram nosso Estado. O Grêmio de Londrina, com Carolina Gonçalves, ficou em 32º, enquanto que o Clube Curitibano ficou em 21º. Logicamente existiam mais londrinenses, como eu, representando o Minas, e o pessoal do Country competindo pelo Vasco.
Rogério Aoki Romero é nadador do Minas Tênis e 12 vezes medalha de ouro no Troféu Brasil de natação. Ele escreve sempre às quintas-feiras na Folha





