Natação


Rogério Romero




Hickman no Brasil
O clube carioca Vasco da Gama não está poupando nenhuma de suas cartas na manga. Recentemente, anunciou que irá trazer para o Troféu Brasil, a ser realizado no Rio de Janeiro, de 2 a 6 de junho, o recordista mundial dos 100 e 200m borboleta em piscina curta, o inglês James Hickman. Além dele, o Vasco também chamou Darren Mew, campeão inglês dos 50 e 100m peito.
Como funciona
Como permite a legislação esportiva, cada clube pode ‘‘importar’’ até dois atletas estrangeiros. Isso é geral; não é válido somente para a natação e sim para todos os esportes no Brasil. Porém, eles só poderão competir pelo mesmo clube que foi ‘‘importado’’, ou seja, o ano inteiro eles só vão nadar pelo Vasco, isso, é claro, se tiver acordo e disponibilidade dos atletas.
Não é novidade
Este, digamos, artifício do clube tem dois lados. Um lado é sustentado pelo presidente da Confederação, Coaracy Nunes, que já explicou: o clube quer ser campeão e para isso utiliza todos os recursos. Para os atletas, seria um incentivo nadar junto com o recordista mundial. O outro lado é a decepção dos atletas de nível até sul-americano que treinam 6 a 8 meses para chegar no campeonato e não ser campeão (ou até bater um recorde) porque havia um atleta de nível mundial nadando junto.
Difícil escolha
Ambos os lados têm razão. A ‘‘importação’’ de atletas é realmente positiva, porque chama mais mídia para o esporte, além de ser um desafio competir com o recordista mundial. Mas pondo o pé no chão: são poucos os atletas brasileiros que têm nível técnico mundial. Quando se contrata um estrangeiro, o clube tem preferência em chamar um atleta versátil, que tenha condições de disputar o maior número de provas possível. No caso do Troféu Brasil, cada atleta pode nadar no máximo 4 provas individuais, mais 3 revezamentos.
Funciona mesmo!
Relembrando: o Troféu José Finkel, realizado no final do ano passado, comprova a eficiência de se ‘‘importar’’ estrangeiros - os ucranianos Denis Silantyev e Yana Kluchkova (que nadaram pelo Minas Tênis Clube, clube campeão) fizeram 344 pontos juntos. Sem tais pontos e sem fazer reorganização de pontuação, o Minas cairia para 3º lugar na disputa pelo título. Fez diferença? Fez. O clube ficou satisfeito com o investimento? Ficou. É exatamente isso que a CBDA quer.
Recorde escocês
Durante o British Gran Prix, na Inglaterra, o jovem escocês Bryan Morgan bateu o recorde do seu país nos 100m livre, com 51‘‘10, que vinha das Olimpíadas de Los Angeles/84. Com este tempo, Morgan, 17 anos, está liderando o ranking mundial na categoria abaixo de 18 anos. Ele ainda ficou em 2º nos 50m livre, perdendo apenas para Mark Foster, recordista mundial em piscina de 25m.
Caso De Bruin
A nadadora irlandesa Michelle De Bruin, campeã olímpica em 3 provas em Atlanta, ainda tem esperenças de ser julgada inocente e participar da próxima Olimpíada. De Bruin, 28 anos, diz ser contra as drogas ilegais e que foi a atleta mais testada na natação, nunca sendo pega, até um teste fora de competição feito em sua casa. O laboratório anunciou haver indícios de que a amostra havia sido alterada, e que a quantidade de álcool encontrada não era compatível com o organismo humano. O casal que fez o teste declarou ter cheirado algo forte quando estava manipulando a urina. De Bruin contra-ataca lembrando que a amostra ficou sozinha quando ela foi para cozinha tomar água. ‘‘Estou lutando pela minha reputação e pelo direito de ir para Sidney’’, diz a heroína irlandesa. Ela levou seu caso para a Corte Internacional de Arbitragem, mas este, após ouvir as testemunhas e os advogados, pediu mais um mês para uma decisão final.
Rogério Aoki Romero é nadador do Minas Tênis e 12 vezes medalha de ouro no Troféu Brasil de natação. Ele escreve sempre às quintas-feiras na Folha

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