Natação (Rogério Romero)
Natação
Rogério Romero
Começou o
sonho olímpico
Foi divulgado dez dias atrás a tão esperada tabela de índices para a Olimpíada de Sydney. A decepção de muitos tem explicação: os índices são os mais fortes de toda a história. Quer saber por quê? Primeiro: tomou-se como base para fazer tal tabela o tempo do oitavo lugar obtido em provas individuais na fase eliminatória da Olimpíada passada. Teoricamente, o tempo seria o oitavo melhor do mundo, ou melhor, para ir a Sydney o atleta tem que ser um dos oito melhores do mundo naquela época. Segundo: 23 dos 32 índices são tempos abaixo do recorde sul-americano. O que já era difícil de conseguir agora virou meta olímpica. Terceiro: esses serão os primeiros Jogos Olímpicos com o novo sistema de eliminatórias, semifinais e final, para provas com metragem abaixo dos 200m. A Confederação disse em boletim oficial que tomou como base o oitavo tempo pela extinção da Final B (final de consolação, na qual disputa-se da 9ª à 16ª colocação).
E eu com isso?
Talvez muitos ainda não saibam, mas estou treinando nos Estados Unidos, na Flórida, junto com Fernando Scherer e Flávia Delaroli. O que eu acho desses índices? Na minha parte, no nado costas, os índices são fortes mas não impossíveis - eu tenho chances. Há mais dois atletas com chances reais de obter índice nos 100 e 200m costas: Alexandre Massura e Leonardo Costa. Não que somente os dois tenham condições. Ainda há tempo para mais atletas alcançarem o índice. Alguém está confirmado? Não, ninguém. Nem mesmo Gustavo Borges e Scherer estão! Eles, junto comigo e Luiz Lima, são os únicos a terem um tempo abaixo do índice olímpico. Fabíola Molina é quem está mais perto do índice para os 100m costas: ela tem 1:03.15 e o índice é 1:02.90.
Seleção macho
Fabíola e outras atletas costistas, como Laura Crespo, são as mulheres que mais têm chance de ir a Sydney. Espero estar errado, porque senão teremos novamente uma ou duas presenças femininas numa seleção em que nos últimos anos predominou o masculino. Para relembrar, na Olimpíada passada, só Gabrielle Rose representou o Brasil (e bem por sinal!) no feminino, contra 9 no masculino. Os índices estabelecidos também não ajudam, mas acredito que a natação feminina esforce-se ao máximo para diminuir cada vez mais a brutal diferença entre índices e recordes.
Seis chances
Para isso, todos terão seis campeonatos para obter resultado: o Troféu Brasil deste ano (a ser realizado daqui a um mês), a Tentativa CBDA/Correios (10 a 13/06), os Jogos Pan-Americanos (03 a 08/08, no Canadá), o Troféu José Finkel (16 a 19/12), o Campeonato Sul-Americano Absoluto (23 a 26/03/2000, na Argentina) e o Troféu Brasil de 2000 (31/05 a 05/06). Todas as competições nacionais citadas serão realizadas no Rio de Janeiro.
Índices para brasileiros
Ôpa, eu disse todos terão? Quase todos, porque também foi divulgada há pouco tempo (com atraso) a tabela de índices de participação para Campeonatos Brasileiros. Muitos tempos são o 24º melhor tempo do último Brasileiro, seja ele Infantil ou Absoluto. Isso quer dizer que quem ficou em 25º no seu último Brasileiro terá que treinar mais ainda para participar do próximo. Isso significa um nível técnico mais alto em Campeonatos Absolutos. Quem conseguir um índice para seu Brasileiro, pode se considerar parte de uma elite. Ter um índice para um Troféu Brasil ou Troféu José Finkel é estar não só entre os melhores do País, mas ser um dos melhores do País. A natação é um dos poucos esportes que exigem índice de participação para campeonatos e estes índices são a base de qualquer objetivo do atleta. São eles que motivam o treinamento e a luta pela consagração no esporte.
Rogério Aoki Romero é nadador do Minas Tênis e 12 vezes medalha de ouro no Troféu Brasil de natação. Ele escreve sempre às quintas-feiras na Folha





