Atenas - Mesmo ''acomodado'', o nadador Clodoaldo Francisco da Silva ganhou ontem, nos 100 m livre, o primeiro ouro para o Brasil na Paraolimpíada de Atenas. Dono de quatro medalhas (três pratas e um bronze) em Sydney-2000, Clodoaldo, 25 anos, sofreu falta de oxigênio no parto e teve paralisia cerebral, o que acabou afetando os movimentos da perna. Ele disputa a categoria S4. Na natação, os atletas com limitações físico-motoras são classificados de S1 a S10. Quanto maior o número, maior o comprometimento.
Recordista mundial dos 50 m e 100 m livre, o brasileiro melhorou seu tempo na eliminatória em quase três segundos - sua melhor marca era 1min22s05, e ele marcou 1min19s36. Na final, ele não repetiu a proeza, mas foi ouro com 1min19s51 mais de cinco segundos de vantagem. ''Às vezes, você se sente muito bem. Mas, quando me vi na frente, dei uma acomodada'', afirmou o nadador, que ainda disputa mais sete provas em Atenas e está sendo chamado de Michael Phelps brasileiro (alusão ao nadador norte-americano que ganhou na Olimpíada com seis ouros e dois bronzes). Clodoaldo, assim como Phelps, chegou a Atenas com a possibilidade de ganhar oito medalhas de ouro.
Além da natação, o Brasil também subiu ao pódio no judô ontem. Eduardo Paes Amaral (até 73 kg) foi medalha de prata, e Daniele Silva (até 57 kg), de bronze.
Amaral, 37, lutava o judô olímpico e há dois anos passou a fazer parte do movimento paraolímpico. O carioca, que possui um problema no nervo ótico, saiu de bye e estreou contra o ucraniano Sergiy Sydorenko, campeão mundial, e depois enfrentou o alemão Matthias Grieger - venceu as duas lutas por ippon. A final, contra Yun Feng Wang, foi rápida. Com apenas 11 segundos, o chinês definiu o combate. ''Foi erro de estratégia. Ele dominou a manga'', disse Amaral. ''Faltou algum detalhe.''
Pouco antes, Daniele Silva, que há pouco mais de um mês sofreu uma fratura na fíbula esquerda, garantiu o bronze ao vencer a chinesa Ping Lei Li, por ippon.
A deficiência visual de Daniele, que deu uma ''sambadinha'' no tatame, é leve e consequência do estrabismo desde os dois anos, quando teve uma convulsão.
As chances de medalha são grandes para o Brasil hoje. No atletismo, Roseane Santos, amputada da perna esquerda, disputa o arremesso de peso, prova na qual é recordista mundial. Adria Santos fez o melhor tempo nas eliminatórias dos 100 m. E, no judô, Antônio Tenório (até 100 kg) tenta sua terceira medalha de ouro consecutiva.

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