Nastás antecipa eleição e deixa a CBT
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de março de 2004
Fernando Itokazu<br> Agência Folha 
São Paulo - Sem apoio nem mesmo entre seus aliados, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás, decidiu antecipar a eleição, com o compromisso de não ser candidato, renunciar ao cargo em maio e dar total autonomia aos jogadores para montar a comissão técnica da Copa Davis. Em comunicado oficial divulgado ontem, a CBT afirma que Nastás não quer ser ''partícipe, ainda que involuntariamente, de eventual boicote à Copa Davis''.
O dirigente declara que tomou a decisão por ''razões pessoais'' e que atendeu pedido de 12 federações, que não fazem parte da oposição intitulada Tênis Brasil. A eleição para a sucessão de Nastás, no poder desde 1994, foi marcada para 15 de maio, data sugerida pelas federações.
Com isso, o presidente espera que o boicote à Copa Davis, anunciado inicialmente por Gustavo Kuerten e que ganhou adesão da grande maioria dos tenistas profissionais do País, não aconteça. Guga disse que não integraria a equipe contra os paraguaios pelo Zonal Americano, entre os dias 9 e 11 de abril, na Costa do Sauípe, nem em outros confrontos enquanto Nastás estivesse no cargo. ''Dessa forma, a CBT espera que os jogadores, em especial Gustavo Kuerten e o técnico Larri Passos, repensem sua posição'', afirma o comunicado da confederação.
O estopim que causou a grave crise na CBT envolveu justamente o principal torneio entre países. Em fevereiro, dois dias antes do Torneio da Costa do Sauípe, o único evento de primeira linha no País, Nastás anunciou, sem consulta aos jogadores, que Jaime Oncins substituiria Ricardo Acioly no cargo de capitão.
Descontentes com a gestão de Nastás, os jogadores, que já haviam pedido sua saída em setembro, no Canadá, após o rebaixamento na Copa Davis, passaram a falar em boicote. Na semana passada, Guga anunciou sua decisão. Depois dele foi a vez de André Sá, Flávio Saretta e Ricardo Mello adotarem a mesma posição.
Sem poder contar com os jogadores que defenderam a equipe nos dois últimos confrontos na Davis, Oncins entregou o cargo. Além da crise na parte técnica, Nastás enfrentou também problemas com a oposição, que o acusa de várias irregularidades.
Um inquérito policial investiga o presidente da entidade por formação de quadrilha e falsidade ideológica. Com esse cenário, a oposição tentou viabilizar uma assembléia extraordinária para pedir a destituição de Nastás.


