Nascidos para o esporte
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domingo, 29 de janeiro de 2012
João Fortes <Br>Reportagem Local 
Conquistar títulos, quebrar recordes, fazer parte de uma equipe campeã. Para obter resultados como esses os atletas profissionais precisam se dedicar, em muitos casos, até os limites da dor e resistência física. Mas não há como negar que ter uma condição física favorável à modalidade escolhida também é fundamental. É o chamado biotipo, um conjunto de fatores que variam de pessoa para pessoa e podem definir em que tipo de esporte o atleta se encaixa melhor.
Em determinadas modalidades, o biotipo é quase que um pré-requisito para a prática, já que atletas fora daquele padrão, provavelmente teriam dificuldades para um melhor desempenho e até mesmo desvantagem durante uma competição.
É o caso de esportes como o basquete ou o vôlei, em que a altura acima da média é uma condição básica, embora existam exceções.
E mesmo entre essas modalidades, as exigências são diferentes. ''Apesar dos dois esportes exigirem atletas altos, no basquete há uma necessidade maior de massa muscular e força'', afirma o professor e doutor em Ciências do Esporte da UEL, Antônio Carlos Dourado.
Na opinião do especialista, a estatura alta é favorável para grande parte dos esportes. ''O indivíduo mais alto vai poder desenvolver mais força'', explica.
Outros fatores como peso, força e agilidade costumam ser mais decisivos na diferenciação dos atletas e suas modalidades. Isso fica bem evidente no atletismo. Em provas de corrida, os velocistas contam com uma musculatura forte para conquistar a vitória. Ao contrário dos atletas de provas mais longas. ''Na prova de 1.500 metros o atleta é mais fino com pernas mais alongadas. Já o maratonista é um cara seco, quase sem gordura corporal'', ressalta Dourado.
Já nas provas de arremesso, o perfil dos atletas é outro. ''Ele precisam ser ainda mais fortes e ter muita explosão. A força precisa ser equilibrada, tanto nos membros inferiores quanto superiores'', explica Silvana Vieira, treinadora da categoria da equipe Londrina/Caixa/Sercomtel.
Ginástica
Outro esporte em que o biotipo conta, e muito, é a ginástica artística, uma modalidade que exige características bem específicas. Basta observar os atletas que se destacam na equipe da Associação Londrinense de Ginástica Artística (Alga), como o campeão brasileiro em 2011, Lucas Galdino.
O garoto, de 11 anos, tem todas as características de um ginasta, de acordo com o técnico da equipe, Geisel Campos. ''Além da força e flexibilidade, no masculino é preciso ter membros superiores muito longos por causa das provas de cavalo e barra'', afirma.
Já para as meninas é importante ter os quadris mais estreitos, além, é claro, força e ainda mais flexibilidade.
Ao contrário de outros esportistas, os ginastas não podem ser muito altos. Segundo Campos, a estatura comum é de média pra baixa. ''Devido ao centro de gravidade que deve estar mais próximo ao solo. Nos atletas adultos, por exemplo, a estatura média no masculino é de 1,72 metro, já no feminino 1,60'', afirma.
O técnico ressalta que até é possível aprender os movimentos do esporte sem o biotipo adequado, mas para quem pretende competir isso é mais difícil. ''Na hora do pódio isso vai aparecer, vai fazer a diferença'', afirma.
O biotipo, segundo ele, também precisa estar combinado com a capacidade de aprendizado e disciplina.
O professor Antônio Carlos Dourado destaca que, embora as características que compõem o biotipo de um atleta sejam naturais, ou seja, de nascença, não é o suficiente para garantir resultados. ''O cara vai nascer com aquilo e o ambiente vai favorecer ou não. O Usain Bolt (campeão olímpico dos 100m e 200m no atletismo), por exemplo, caiu no lugar certo, na hora certa e conheceu o cara certo que o treinou. Fatores como habilidade técnica e inteligência tática também são importantes nesse conjunto''.
Personalidade
Os atletas não diferem em modalidades apenas pelo biotipo. De acordo com o psicólogo do esporte, Jorge Ribeiro, há traços de personalidades típicos de determinados esportes. Ele explica que nos esportes coletivos a tendência é que os atletas sejam mais extrovertidos, e nos individuais mais introvertidos. ''Os introvertidos, mesmo nos esportes que não são de contato, têm uma carga maior de agressividade, um comportamento adaptavivo que possibilita se ajustar sozinho e também são mais focados. Já os extrovertidos dividem mais o espaço, procuram resolver os conflitos de forma mais segura e sem conflitos e buscam o apoio do grupo para compensar em fatores mais exigidos'', analisa.


