Conquistar títulos, quebrar recordes, fazer parte de uma equipe campeã. Para obter resultados como esses os atletas profissionais precisam se dedicar, em muitos casos, até os limites da dor e resistência física. Mas não há como negar que ter uma condição física favorável à modalidade escolhida também é fundamental. É o chamado biotipo, um conjunto de fatores que variam de pessoa para pessoa e podem definir em que tipo de esporte o atleta se encaixa melhor.
Em determinadas modalidades, o biotipo é quase que um pré-requisito para a prática, já que atletas fora daquele padrão, provavelmente teriam dificuldades para um melhor desempenho e até mesmo desvantagem durante uma competição.
É o caso de esportes como o basquete ou o vôlei, em que a altura acima da média é uma condição básica, embora existam exceções.
E mesmo entre essas modalidades, as exigências são diferentes. ''Apesar dos dois esportes exigirem atletas altos, no basquete há uma necessidade maior de massa muscular e força'', afirma o professor e doutor em Ciências do Esporte da UEL, Antônio Carlos Dourado.
Na opinião do especialista, a estatura alta é favorável para grande parte dos esportes. ''O indivíduo mais alto vai poder desenvolver mais força'', explica.
Outros fatores como peso, força e agilidade costumam ser mais decisivos na diferenciação dos atletas e suas modalidades. Isso fica bem evidente no atletismo. Em provas de corrida, os velocistas contam com uma musculatura forte para conquistar a vitória. Ao contrário dos atletas de provas mais longas. ''Na prova de 1.500 metros o atleta é mais fino com pernas mais alongadas. Já o maratonista é um cara seco, quase sem gordura corporal'', ressalta Dourado.
Já nas provas de arremesso, o perfil dos atletas é outro. ''Ele precisam ser ainda mais fortes e ter muita explosão. A força precisa ser equilibrada, tanto nos membros inferiores quanto superiores'', explica Silvana Vieira, treinadora da categoria da equipe Londrina/Caixa/Sercomtel.


Ginástica


Outro esporte em que o biotipo conta, e muito, é a ginástica artística, uma modalidade que exige características bem específicas. Basta observar os atletas que se destacam na equipe da Associação Londrinense de Ginástica Artística (Alga), como o campeão brasileiro em 2011, Lucas Galdino.
O garoto, de 11 anos, tem todas as características de um ginasta, de acordo com o técnico da equipe, Geisel Campos. ''Além da força e flexibilidade, no masculino é preciso ter membros superiores muito longos por causa das provas de cavalo e barra'', afirma.
Já para as meninas é importante ter os quadris mais estreitos, além, é claro, força e ainda mais flexibilidade.
Ao contrário de outros esportistas, os ginastas não podem ser muito altos. Segundo Campos, a estatura comum é de média pra baixa. ''Devido ao centro de gravidade que deve estar mais próximo ao solo. Nos atletas adultos, por exemplo, a estatura média no masculino é de 1,72 metro, já no feminino 1,60'', afirma.
O técnico ressalta que até é possível aprender os movimentos do esporte sem o biotipo adequado, mas para quem pretende competir isso é mais difícil. ''Na hora do pódio isso vai aparecer, vai fazer a diferença'', afirma.
O biotipo, segundo ele, também precisa estar combinado com a capacidade de aprendizado e disciplina.
O professor Antônio Carlos Dourado destaca que, embora as características que compõem o biotipo de um atleta sejam naturais, ou seja, de nascença, não é o suficiente para garantir resultados. ''O cara vai nascer com aquilo e o ambiente vai favorecer ou não. O Usain Bolt (campeão olímpico dos 100m e 200m no atletismo), por exemplo, caiu no lugar certo, na hora certa e conheceu o cara certo que o treinou. Fatores como habilidade técnica e inteligência tática também são importantes nesse conjunto''.


Personalidade

Os atletas não diferem em modalidades apenas pelo biotipo. De acordo com o psicólogo do esporte, Jorge Ribeiro, há traços de personalidades típicos de determinados esportes. Ele explica que nos esportes coletivos a tendência é que os atletas sejam mais extrovertidos, e nos individuais mais introvertidos. ''Os introvertidos, mesmo nos esportes que não são de contato, têm uma carga maior de agressividade, um comportamento adaptavivo que possibilita se ajustar sozinho e também são mais focados. Já os extrovertidos dividem mais o espaço, procuram resolver os conflitos de forma mais segura e sem conflitos e buscam o apoio do grupo para compensar em fatores mais exigidos'', analisa.

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