Depois que, no dia 02 de outubro, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou o Brasil como sede dos Jogos Olímpicos, de 2016, o que era expectativa se transformou em realidade. Foram quatro tentativas até conseguir confirmar a realização do principal evento esportivo do mundo, pela primeira vez sediado no Rio de Janeiro. As areias de Copacabana receberam a presença de milhares de brasileiros comemorando a consquista. Esse foi o reflexo na população.
No mesmo dia, a equipe infantil de Ginástica Rítmica, da Unopar, disputava o Campeonato Brasileiro, em Belém, no Pará. Quatro garotas, Gabrielle Moraes, Gabriela Grade, Isadora Silva e Haniely Leão, que possuem entre 11 e 12 anos, conquistavam o primeiro lugar no torneio e ao mesmo tempo receberam a notícia dos jogos no Rio. ''As meninas ficaram muito alvoroçadas. Primeiro, por ser uma Olimpíada no Brasil e agora elas sabem desta possibilidade, mas ao mesmo tempo que será difícil''. Assim foi no meio esportivo.
A declaração é de Márcia Aversani, que já atuou como árbitra de ginástica rítmica (GR) em pan-americanos e campeonatos mundiais e atualmente coordena a equipe de GR da Unopar. Ela acredita que não haverá grandes mudanças em termos de trabalho, pois a metodologia na formação das atletas será a mesma. As expectativas estão por conta das políticas empregadas no esporte, principalmente por parte das Confederações Brasileiras.
''É interessante saber como o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) vai gerenciar isso junto às confederações, pois é importante que haja fiscalização sobre o trabalho deles no sentido de criar e incentivar competições de alto nível. Isso vai fazer diferença na hora dos nossos atletas disputarem com os de outros países'', analisa.
Uma das modalidades que poderá ter nomes da região representando o Brasil nos Jogos é o ciclismo. José Luiz Vasconcelos, presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo, admite que a preparação dos atletas é de responsabilidade das confederações, mas o trabalho acontece de acordo com a disponibilidade de investimentos que o governo destinará neste período aos esportes de alto rendimento.
''O importante é haver um entendimento entre governos, como o federal, estadual e municipal na gestão e na hora de destinar recursos. Não podemos reclamar, pois as portas para as leis de incentivo estão abertas. O importante é saber empregar os recursos'', explicou Vasconcelos. Ele ressalta que o ciclismo será representado por quatro modalidades: mountain bike, estrada, BMX e pista (velódromo).
De acordo com o londrinense Antônio Carlos Gomes, consultor do COB, a escolha consagrou 12 anos de trabalho, mas a partir de agora é obrigação de todos os municípios, estados, confederações esportivas e do Governo Federal se mobilizarem para viabilizar o evento.
Segundo Gomes, existe um projeto inicial que engloba construção da estrutura física das sedes desportivas, como ginásios, quadras, pistas e campos. Outro detalhe é a construção da estrutura da Vila Olímpica, que abrigaria equipes de apoio, mídia e alojamento dos atletas. ''Essa é a preocupação imediata'', pontuou, citando que também haverá mudanças na estrutura da cidade-sede como transporte, segurança e outros aspectos de infra-estrutura.
Quando se fala em investimentos financeiros, ele afirma que ainda não é possível declinar valores de patrocínio, mas existe a necessidade de liberação de subsídios do governo, além da participação de outros órgãos públicos e privados. ''Olimpíadas no Brasil com o governo bancando tudo podem esquecer. Tem que ter apoio de empresas, comunidade e outros setores'', opinou.
Já na opinião de Márcia Aversani, se o governo não se mobilizar antes, fazendo investimentos junto às federações para aumentar o nível dos atletas ''não haverá resultados''. ''E não falo nem de resultados em termos de medalhas, mas de equipes prontas para disputar os índices'', completou. Ela acredita que é importante ficar atento aos Jogos Pan-Americanos 2015, onde os atletas que alcançarem resultados podem render frutos nos Jogos do ano seguinte.
''O trabalho deve ter em mente resultados já no ano anterior. Se não houver investimento financeiro, técnico, organização política e administrativa será muito difícil chegar lá'', alerta Márcia.
- Leia mais sobre as promessas do esporte na página 2.

mockup