Narciso faz
exame no HC
em Curitiba
DRAMA NO FUTEBOL
Julio Cesar Lima
De Curitiba

O jogador Narciso (foto), que pertence ao Santos e já teve passagem pela Seleção Brasileira, esteve ontem em Curitiba realizando exames no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Os exames são preparatórios para o transplante de medula óssea a que será submetido dentro de alguns dias no próprio HC. Narciso tem leucemia mielóide e esteve acompanhado de sua irmã, Nilda dos Santos, que será a doadora.
Bastante otimista, o jogador disse estar confiante no sucesso da operação. ‘‘Estou ao lado de pessoas que eu gosto e isso me dá mais tranquilidade’’, disse Narciso. Os resultados estarão prontos em três dias e depois poderá ser marcada a data da cirurgia.
O drama de Narciso começou no dia 18 de janeiro deste ano. Enquanto seu time realizava a pré-temporada na Vila Belmiro, o zagueiro reuniu seus colegas e contou a todos. Dias antes, ele havia faltado aos treinos e a diretoria pensava em puni-lo.
Narciso descobriu sua doença no final de dezembro de 99, logo após o Natal. Nesse período, os jogadores santistas fizeram exames de sangue rotineiros. Após dois exames, foi constatada a leucemia. A diretoria do Santos irá arcar com as despesas.
Segundo o chefe do Departamento Médico do Santos, Evandro Trocoli, logo após a notícia, Narciso iniciou um tratamento pré-cirúrgico. Depois de alguns testes para saber quem poderia ser doador, foi comprovada a compatibilidade com sua irmã.
O cirurgião Ricardo Pasquini, do Departamento de Transplante de Medula Óssea do HC, será o responsável pelo transplante. Mesmo com o sucesso da operação, Narciso retornará aos campos de futebol somente na metade do próximo ano.
O paciente contrai leucemia mielóide quando ocorre um desequilíbrio na produção de sangueá – ele passa a produzir desordenadamente mais glóbulos brancos que vermelhos. É um tipo de câncer no sangue.
O melhor tratamento, segundo os médicos, é o transplante de medula óssea. O objetivo é fazer uma limpeza de medula, com altas doses de quimioterapia. A limpeza eliminará as células doentes e colocará o paciente em condições de se submeter ao transplante, técnica pela qual a medula, tecido de células que funciona como uma ‘‘fábrica de sangue’’, é totalmente substituída.
Após o transplante, e até que ocorra a restituição completa da medula, o paciente fica em processo de acompanhamento médico no hospital por cerca de 100 dias, já que as defesas do organismo estão baixas e ele está sujeito a contrair infecções. A chance de cura com transplante é de 85%. Os 15% restantes são casos em que ocorrem infecções, rejeição ou mesmo a volta da doença.

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