France PresseBeijoqueiroAntes do treino, o lateral Zé Carlos, que substituirá Cafu amanhã contra a Holanda, beija a noiva Berta LúciaZagallo pediu, mas Zé Carlos disse que não vai imitar o titular Cafu, suspenso, amanhã no jogo contra o Holanda. ‘‘Eu vou imitar o Zé Carlos: eu tenho as minhas características e o Cafu tem as dele’’, justificou o lateral-direito, que ganhou notoriedade por ser um grande imitador de bichos e de vozes de personalidades. Ontem, ele superou a timidez que o tem caracterizado dentro e fora de campo na seleção e fez as vezes de um locutor esportivo, narrando um hipotético gol brasileiro, que saiu de um cruzamento seu para Ronaldinho completar para as redes.
É esse Zé Carlos descontraído e brincalhão que a comissão técnica da Seleção e os companheiros querem ver. Como não tem conseguido repetir o futebol do São Paulo nos treinos e nem o comportamento extrovertido fora de campo, Zé Carlos virou a nova preocupação nacional. Ontem, após o treinamento coletivo, ele repetiu o ritual de todos os dias e, antes de se dirigir aos vestiários, seguiu até o alambrado, atrás de um dos gols do estádio Trois Sapins, para falar com a noiva Berta Lúcia. Desta vez, foi acompanhado pelo coro dos companheiros. ‘‘Beija, beija, beija.’’ Depois de consumado o ato, foi aplaudido por todos.
‘‘Estou procurando deixá-lo à vontade: ficar em cima, nessas horas, é pior’’, afirmou Zagallo. Segundo o treinador, ‘‘um atleta de quase 30 anos não vai tremer numa partida decisiva’’. ‘‘Dentro de campo, ele também será ajudado pelos companheiros e vai se sair melhor do que ele próprio espera’’, afirmou o coordenador-técnico Zico.
Para se ter uma idéia da preocupação da comissão técnica com o jogador, a palestra de ontem do ‘‘guru’’ Evandro Mota, teria a história de Zé Carlos como tema principal. ‘‘Eu vou contar a história dele para ele, uma história repleta de exemplos de superação e competência’’, disse Mota. Ele vai lembrar que Zé Carlos, de feirante e ajudante de pedreiro, tornou-se um jogador de Seleção. ‘‘Há um ano, ele não era nada, estava emprestado, de graça, ao time da Matonense; depois, foi para o São Paulo para ser terceiro reserva, ganhou a posição e hoje está aqui’’, afirmou.
Zé Carlos não escondeu a sua ansiedade. ‘‘Estou esperando a hora de o jogo começar, mas confiante, já que acredito no meu futebol’’, disse. No único treino como titular da Seleção, hoje, ele não foi bem. É verdade que sofreu o pênalti que originou o primeiro gol dos titulares, mas foi constantemente envolvido por Zé Roberto e Denílson quando procurava defender. ‘‘Partimos para cima do Zé Carlos só para ver como ele estava, mas tenho certeza que ele vai arrebentar contra a Holanda’’, disse Denílson. Zé Carlos concordou: ‘‘Treino é treino, jogo é jogo.’’

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