Salvador, 4 (AE) - O atacante Rivaldo parece ter superado o trauma pelo fiasco do Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, quando a seleção foi eliminada pela Nigéria, por 4 a 3, de virada, numa partida em que ele teve atuação medíocre, e também pela derrota implacável para a França na final da última Copa do Mundo. O jogador diz não mais se importar com as críticas recebidas por sua participação nas duas competições e prefere destacar os últimos títulos pelo Barcelona - foi bicampeão espanhol - e os elogios na Europa por seu futebol de talento e técnica apurada. "Não tenho de provar nada a ninguém."
Na seleção do técnico Wanderley Luxemburgo, ele tem se sentido à vontade ao poder treinar e jogar na posição que mais gosta: a de atacante, sempre próximo ao gol. "Com liberdade no ataque, eu consigo render mais." Embora cite Zagallo como o grande responsável por sua ida à Copa da França, Rivaldo lembra que no time vice-campeão do mundo atuava mais "preso" pelo lado esquerdo do meio-de-campo. Ele agora tem autonomia para se movimentar na frente do time e tentar marcar mais gols. "Gosto de estar sempre em contato com a bola, perto da área do adversário."
Preconceitos - Mesmo em grande fase e reverenciado em quase todo o mundo, Rivaldo não desiste, porém, de acusar paulistas e cariocas de perseguição. Suas entrevistas têm chamado a atenção da psicóloga Suzy Fleury, que tem uma tarefa árdua na seleção brasileira: conseguir redirecionar à mania do atacante de se posicionar como vítima de preconceitos por ter nascido na Região Nordeste. Em qualquer entrevista mais longa, ele dedica um espaço para enfatizar que ainda não tem o reconhecimento "devido" no Brasil. "Na verdade, ele quer demonstrar todo seu carinho pela região onde nasceu", observa Suzy.
Sempre reservado e de poucas palavras, ele assimila as orientações do técnico Wanderley Luxemburgo e procura atendê-lo nos treinos e jogos. O jogador do Barcelona é reconhecido pelos colegas de seleção como um dos mais importantes do grupo, mas costuma deixar no ar uma certa insatisfação quando ouve falar de craques que se tornaram famosos em São Paulo ou no Rio de Janeiro, como Romário e Ronaldinho, possível dupla de ataque do Brasil na Copa América. "Não tenho ciúmes dos dois e torço para o sucesso deles", afirma.
O jogador luta pela artilharia do Campeonato Espanhol e gostaria de ser liberado do outro amistoso do Brasil com a Holanda, na terça-feira, em Goiânia, para disputar as duas últimas partida do Barcelona pela competição. Luxemburgo, no entanto, decidiu que ele só vai ser dispensado depois do jogo em Goiânia.

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