A Seleção Brasileira vai repetir contra o Chile, sábado, no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris, pelas oitavas-de-final da Copa da França, o esquema tático que adotou nos dois primeiros jogos do Mundial, com Escócia e Marrocos, com dois volantes na marcação: Dunga e César Sampaio. A equipe de Zagallo terá duas alterações. O volante César Sampaio, que cumpriu suspensão automática contra a Noruega, retorna ao meio-de-campo. Na zaga, volta Aldair, que foi poupado para evitar um segundo cartão amarelo.
César Sampaio aproveitou a folga concedida ontem aos jogadores para fazer compras. Ele foi acompanhado de Rivaldo e Edmundo. Na volta para a concentração, Sampaio parecia ser um dos menos abatidos pela derrota de anteontem, para a Noruega, por 2 a 1. ‘‘Não há motivo para desespero’’, disse o volante. ‘‘Precisamos errar menos. Temos agora alguns dias para pensarmos, analisarmos o Chile e nos concentrarmos para o jogo.’’
Segundo ele, foram realizadas algumas reuniões para orientar os jogadores para não revidar possíveis provocações por parte dos jogadores chilenos. Para Sampaio, a volta do velho esquema, com ele atuando como volante e Leonardo armando jogadas pela direita ao lado de Rivaldo, deve fazer com que o time jogue melhor. As mudanças realizadas para o jogo contra a Noruega deram errado porque o time demora para se entrosar, mesmo com jogadores habilidosos como os brasileiros. ‘‘Além disso, o forte sistema defensivo norueguês e a estatura dos atletas adversários dificultaram nosso jogo.’’
Sobre o Chile, adversário do Brasil nas oitavas-de-final da Copa do Mundo da França, César Sampaio alertou para a habilidade de Salas e Zamorano, além dos meias que auxiliam o ataque. Ele destacou a importância de Sierra, que tem uma precisão ‘‘impressionante’’ no passe.
A volta de César Sampaio, porém, muda pouca coisa na Seleção. Deixa o time mais forte na marcação no meio-de-campo, menos confuso na saída de bola para o ataque, mas carente de imaginação e sem ousadia para explorar o potencial defensivo dos seus jogadores.
César Sampaio e Dunga são dois cabeças-de-área autênticos. Experientes, sabem proteger a defesa e orientar o time em campo. Com o esquema 4-4-2, Zagallo poderia liberar mais os laterais Cafu e Roberto Carlos e facilitar as jogadas de ataque com o avanço de Leonardo e Rivaldo, os dois homens mais avançados no meio-de-campo. Bebeto e Ronaldinho não ficariam tão isolados na frente e o time poderia ser ofensivo sem perder a ‘‘pegada’’. O problema é que o treinador exige muita marcação e isso prevalece na equipe.
Jogadores que se destacaram pelo futebol ofensivo, como o meia Rivaldo, artilheiro e ídolo no Barcelona, e o lateral-esquerdo Roberto Carlos, eleito o segundo melhor jogador do mundo na temporada passada pelo Real Madrid, ficam contidos como se estivessem numa camisa de força.
A Seleção de Zagallo tem uma característica que irrita os amantes do futebol brasileiro: toca excessivamente a bola atrás e tem criado poucas jogadas de ataque. Além disso, tem momentos de instabilidade capazes de fazer crescer um adversário aparentemente batido, como a Noruega, no último jogo, ou a própria Nigéria, que perdia por 3 a 1, empatou o jogo e eliminou o Brasil da Olimpíada de Atlanta na morte súbita (prorrogação com vitória para quem marcar o primeiro gol).
A volta de Aldair acrescenta muito à defesa, pela experiência e segurança do jogador, que disputa a sua terceira Copa do Mundo. Ao lado de Júnior Baiano, é um dos poucos que se salvam no complicado time brasileiro.

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