'Não!!' E Alexandre se diz humilhado
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
Nelson Cilo 
O volante Alexandre Bianchi, de 28 anos, que se submetia a testes no Londrina, ainda não conseguiu assimilar a dispensa pelo clube que o revelou para o futebol. O frio recado do diretor de futebol Dorival Pagani, anteontem à tarde, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), soou como um golpe que o jogador nunca mais vai esquecer. Ele me disse que eu não interessava ao time, mas sugeriu eu poderia permanecer no grupo só para manter a forma. Não concordei. Que vergonha... Me senti desrespeitado e fui humilhado pra casa, afirma Alexandre, que iniciou a carreira no próprio Londrina e defendeu o time durante 16 anos - de 1980 (categoria mirim) até 96. Em 88, disputaria o Mundial de Juniores, na Arábia Saudita, mas uma contusão o afastou da Seleção Brasileira.
Alexandre treinou forte nos últimos 15 dias. Tinha esperança de ficar no grupo. Mas, ao ouvir as palavras de Pagani, o sonho acabou. Sem dinheiro até mesmo para a condução, percorreu a pé o trecho entre o VGD e o apartamento alugado na Rua Mato Grosso (área central da cidade).
Ao reencontrar a esposa Graziele e o filho Alexandre Jr., de três anos, quase chorou. Mas aguentou firme. Recentemente, a esposa Graziele precisou vender por R$ 250,00 um jogo de sofá que custou R$ 980,00.
Para sobreviver à crise financeira de um prolongado desemprego, Alexandre já repassou, a preços irrisórios, um conjunto de barzinho, um televisor 14 polegadas, uma lavadoura de louças e outros objetos de estimação. Se não fosse a ajuda dos pais (Amélia e Osires) e dos parentes, especialmente da cunhada Gisele, Bianchi nem teria o que comer. Só Deus sabe o que a gente passa, desabafa Graziele, ao relatar o drama do marido, que, por falta de dinheiro, chegou a receber pasta de dente e bolachas, pelo Correio, enviados pela esposa, quando jogava na Catuense, da Bahia.
Um dia, Graziele esteve na Caixa Econômica Federal para sacar os supostos R$ 10 mil que o Londrina teria depositado no Fundo de Garantia de Alexandre - sobre o período de seis anos trabalhados - mas encontrou apenas R$ 600,00. O restante continua pendente na ação judicial que Alexandre move contra o clube. Ele cobra promissórias de R$ 10 mil assinadas pelo ex-presidente Marcelo Caldarelli, além de cheques de R$ 8,5 mil dos tempos de Iran Campos. Tudo corrigido, segundo Bianchi, daria uns R$ 50 mil. Com certeza, eu sairia do sufoco, diz o jogador.
Alexandre não acredita que a briga judicial tenha influído na decisão do Londrina de dispensá-lo. Se fosse assim, Aléssio e Alaor, que cobram dívidas do clube, não teriam sido recontratados, ele exemplifica. Ouvido ontem pela Folha, Pagani explicou que cabe ao treinador analisar quem serve ou não ao Londrina. Ele não quis polemizar.
Passe leiloado - O Atlético Paranaense arrematou ontem o passe do atacante Rodrigo, por R$ 55 mil - avaliado em R$ 100 mil - mas o Londrina promete recorrer e depositar os R$ 5 mil cobrados na Justiça Trabalhista pelo ex-técnico da escolinha, José Dias.


