NÃO CHORE POR MIM, ARGENTINA
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de julho de 1999
Rogério Fischer <br> Enviado da Folha 
Foi um sufoco, mas a Seleção Brasileira está classificada para as semifinais da Copa América. A vaga foi conquistada com a vitória de 2 a 1, de virada, sobre a Argentina, ontem à noite, no Estádio Tres de Febrero, em Ciudad del Este. O Brasil enfrentará o México quarta-feira, no mesmo local, às 21h35, por uma vaga na final. Chile e Uruguai farão a outra semifinal, em Assunção, amanhã (leia matéria na página 4).
As duas seleções iniciaram a partida visivelmente embaladas pelo clima de rivalidade e desafio. Deu o óbvio: jogo truncado, muitos passes errados e faltas em abundância. Resultado: quatro cartões amarelos - dois para cada equipe - em menos de 30 minutos. Primeiro para Samuel (falta em Amoroso), depois para Ronaldo (em Ortega), na sequência para Simeone (em Rivaldo) e finalmente para Roberto Carlos (de novo no esperto Ortega).
Neste ambiente de marcação cerrada e nervosismo, aconteceram poucas jogadas de gol. Sem espaços, restou aos atacantes arriscarem chutes de longa distância. O Brasil tentou, aos 4 e aos 5 minutos, com Ronaldo e Émerson. A Argentina, aos 12 e aos 14, com Palermo e Zanetti.
Todos sem maior perigo - como deveria ser, também, um pretencioso chute do lateral Sorin pela esquerda do ataque argentino. Sem muita força, o arremate, porém, foi desviado pelo zagueiro João Carlos que, de joelho, tirou Dida da jogada. Com 10 minutos de partida, Argentina 1 a 0.
Cinco minutos depois, numa disputa de bola dentro da área argentina, Cafu sofreu toque e foi ao chão. O juiz nada marcou. Aos 32, em jogada semelhante, na entrada da área, Cafu cavou falta, assinalada pelo árbitro. Na cobrança, Rivaldo acerta o ângulo esquerdo de Burgos. Chute perfeito, 1 a 1.
O Brasil passou à frente logo aos 3 minutos do segundo tempo, Émerson encontra Zé Roberto na entrada da área argentina. De costas para o gol, ele rolou para Ronaldo chutar rasteiro no canto direito de Burgos: Brasil 2 a 1.
Os outros 44 minutos de jogo - houve dois de acréscimo - foram de puro nervosismo: pegadas mais fortes ainda, tentativas desesperadas da Argentina (e atrapalhadas do Brasil) de chegar ao gol, em jogadas quase sempre confusas, com constantes bate-rebates na área adversária.
Nervosimo que levou Beto - que substituíra Zé Roberto - a cometer pênalti desnecessário em Gustavo Lopez aos 32 minutos. Ayala cobrou rasteiro no canto direito de Dida, que defendeu.
Nervosismo que provocou pelo menos três lances de violência nos últimos minutos de partida.
Nervosismo que levou os brasileiros a comemorar a vitória como se fosse a do título.
FICHA TÉCNICA
Brasil 2
Dida; Cafu, João Carlos, Antônio Carlos e Roberto Carlos; Emerson, Flávio Conceição, Zé Roberto (Beto) e Rivaldo; Amoroso (Christian) e Ronaldo. Técnico Wanderley Luxemburgo
Argentina 1
Burgos; Pochettino, Ayala e Samuel; Zanetti, Simeone (Cagna), Riquelme, Gonzalez e Sorín (Gustavo Lopez); Ortega e Palermo. Técnico Marcelo Bielsa
Árbitro: Gustavo Mendez (URU)
Estádio: Tres de Febrero, em Ciudad del Este
Público: 28 mil pessoas
Gols: Sorín aos 11 e Rivaldo aos 32 do 1º; Ronaldo aos 3 do 2º


