'Nanicos' vão lutar por torneio próprio
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Os times do Clube Brasil (Segunda Divisão) não devem aceitar a participação na Copa João Havelange no formato proposto pelo Clube dos 13. A decisão foi tomada ontem durante uma reunião da entidade em São Paulo. Pela fórmula sugerida, os participantes do Módulo Amarelo (equivalente à Segunda Divisão) receberiam 23 passagens e uma ajuda de custo de R$ 2 mil por partida. Em troca, os clubes abrem mão de todos os direitos de transmissão para a TV Globo. Se não responderem até a próxima segunda-feira, ficarão de fora.
Segundo o presidente do Clube Brasil, Francisco Baptista Neto, os clubes teriam de pagar para jogar. Cada time teria um prejuízo médio de R$ 45 mil, calculou ele. Falam que estão preocupados com o emprego, mas este seria o torneio do desemprego. Por isso, os membros do Clube Brasil estudam duas alternativas: convencer o Clube dos 13 a mudar a fórmula de disputa e a aumentar a cota dos clubes, ou então organizar um torneio paralelo.
A decisão deve ser tomada hoje em uma nova reunião na capital paulista. A TV Record estaria oferecendo entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões para patrocinar a competição. Se as duas alternativas forem consideradas inviáveis, alguns clubes poderão ficar parados no segundo semestre. É melhor ficar parado do que pagar para jogar, declarou Baptista.
Participaram do encontro representantes de 11 clubes: Ceará, Avaí, São Caetano, Botafogo-SP, União São João, CRB, XV de Piracicaba, Desportiva-ES, Sampaio Correia e Londrina (representado pelo coordenador geral Célio Guergoletto e o presidente do Conselho Deliberativo, Antônio Amaral). Além desses times, o Gama (membro do Clube Brasil) esteve representado por seu presidente Wagner Marques. Apesar disso, o Gama também não será convidado para qualquer torneio do Clube Brasil.
O presidente do Clube Brasil denunciou a Federação Catarinense que teria pressionado o Joinville para boicotar a reunião. Segundo ele, o representante do Joinville, Jairo Anello, tinha desembarcado junto com ele no aeroporto de São Paulo quando recebeu um telefonema do presidente da Federação Catarinense, Delfim Peixoto, pedindo para que ele não comparecesse à reunião. Se o Joinville comparecesse, ele estaria fora da Copa João Havelange e de outras competições no futuro, disse Neto.
Ele contou que ouviu outra denúncia sobre uma ameaça feita por pessoas ligadas à CBF ao Vila Nova (GO). Soube que o senhor Marco Antônio Teixeira (tio do presidente da CBF, Ricardo Teixeira) ameaçou tirar o Vila da competição se o representante do clube fosse ao encontro, relatou Baptista.
Os dois clubes acabaram não enviando representantes, mas o Joinville já confirmou que estará na reunião de hoje. Se for confirmada, a interferência da Federação e da CBF desmentiria a versão de que a Copa Hoão Havelange é um torneio sem nenhuma ligação oficial.


