De repente, uma garota de Londrina passa a trabalhar no sentido de trazer um norte-americano para participar dos Jogos Mundiais da Natureza, que o governo do Estado promoverá em setembro. Jim Hallet é golfista profissional, esteve em Londrina recentemente e não vê a hora de retornar ao Brasil e participar da competição na Costa Oeste do Estado. A professora de inglês Alessandra Tutida e Jim têm o mesmo motivo para ver seus desejos se realizarem. É que desde o dia 26 de janeiro deste ano, os dois estão vivendo uma forte paixão.
Profissional da maior liga de golfe - a PGA -, um círculo para os melhores do mundo, Jim Hallet não só pode participar dos Jogos da Natureza, como trazer um grupo de amigos também da PGA. O curioso é que um caso de amor pode ajudar a transformar uma modalidade em Londrina e região, porque Jim mostrou interesse - e até deu uma colher de chá para os golfistas londrinenses - em auxiliar no que for possível, com seus largos recursos de profissional, o golfe paranaense. Sem nenhum constrangimento ou prepotência, Jim Hallet foi uma das atrações por ocasião do Open Norte Paranaense promovido pelo Londrina Golf Club, em março, realizando demonstrações e mostrando como se tem o domínio numa grande tacada.
Mais interessante é o namoro com a professora londrinense. ‘‘Estava com um grupo de alunos em Orlando, na Church Street Station, dançando tranquilamente a macarena, quando senti alguém me observando o tempo todo. Pouco depois ele se aproximou e perguntou se poderíamos conversar’’, recorda-se Alexandra. ‘‘Como nunca o tinha visto antes, procurei afastá-lo. Mas ele insistiu e até procurou nossa coordenadora para saber se poderia nos acompanhar até o hotel. Ela não fez restrição e ele e o irmão, num carro, nos seguiram até o hotel. Conversamos um pouco e Jim teve que viajar no dia seguinte a negócios. Mas falou que voltaria. Para mim terminou tudo ali. Afinal, achei que não ia dar em nada mesmo, porque Cinderela não existe mais’’, disse Alexandra.
Mas ela ficou surpresa quando no dia seguinte, lá estava Jim Hallet novamente. Nos poucos momentos que Alessandra concordou em conversar com ele, descobriu que Jim era profissional de golfe. Ele voltou a viajar, mas antes, com muito custo, conseguiu o telefone dela. ‘‘Acreditava que ali estava se encerrando tudo e que não mais me procuraria’’, contou ela.
Passados poucos dias após sua volta a Londrina, ela recebeu, certa noite, uma ligação dos Estados Unidos. Era Jim. Telefonemas como esse voltaram a se repetir com uma frequência fora do comum. Ele soube que Londrina tinha campo de golfe. Sua paixão pela professora aumentava (e a dela também). Um dia ele falou em vir visitá-la. Antes disso, por três vezes, quis mandar flores por avião, mas as companhias não aceitaram a encomenda. Enviou uma carta e dentro do envelope os três cartões que havia escrito para enviar com as flores. Com seus 37 anos, Jim demonstrava a jovialidade dosapaixonado. E solitário. ‘‘A nossa vida é um pouco solitária, porque viajamos com muita frequência. A solidão castiga bastante’’, disse Jim. Ele está no golfe profissional desde 87, quando ingressou na PGA. Jim vem de uma família em que o pai e o avô foram campeões profissionais, como, que faturou o Asiatur, em 87. ‘‘Estava para ser profissional de hokey, jogando pelo Bryant College. Na hora da opção, fiquei com o golfe e não me arrependi’’.
Jim Hallet veio. Conquistou não apenas Alessandra, mas os pais dela Antonio e Ines, além dos irmãos Juliana e Yuso. Na semana que passou em Londrina deixou muita saudade. Alessandra vai a Jacksonville (Flórida), nos Estados Unidos em maio para visitá-lo (ele não poderá vir, devido aos compromissos com o golfe). Os londrinenses estão vivendo uma expectativa grande para um possível retorno de Jim Hallet ao Brasil, agora para vê-lo jogando em Foz, nos Jogos Mundiais da Natureza. Se ele vier mesmo, os londrinenses já terão por quem torcer no torneio que reunirá as maiores ‘feras’ mundiais do esporte.

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