Naming rights de estádios são incógnita
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segunda-feira, 06 de junho de 2011
Almir Leite <br> Agência Estado 
São Paulo - O Corinthians espera conseguir pelo menos R$ 300 milhões com o naming rights da arena de Itaquera, dinheiro que ajudaria no pagamento da obra. É possível obter esse valor, mas não vai ser fácil.
Especialistas nesse mercado, novo no futebol brasileiro, estimam que um bom número para os corintianos trabalharem está entre R$ 210 milhões e R$ 250 milhões.
Os namings right são um tipo de negócio no qual uma parte, normalmente uma empresa, adquire os direitos de propriedade - e, portanto, o direito de utilizar seu nome ou marca - de algo pertencente a outro. No caso do esporte, arenas, estádios, ginásios ou até mesmo uma equipe. É cada vez mais comum na Europa e Estados Unidos.
No Brasil, com a Copa do Mundo de 2014, passou a ser ''vendido'' como ótima solução para que clubes e poder público, que estão colocando dinheiro em arenas, possam financiá-las - ou, na maioria dos casos, recuperar parte do valor investido.
Pode não ser tão fácil. Para começar, o Brasil não tem tradição nessa área. Além disso, o negócio precisa ser compensador para quem adquire os direitos de exploração. Para isso, não basta apenas pôr algum nome na fachada da arena. É preciso criar oportunidade de negócios no local - camarotes corporativos, feiras, exposições - e, principalmente, ter exposição de mídia.
''Ao contrário do que diz a lenda, naming right é uma propriedade complicada em qualquer lugar do mundo'', diz Ricardo Hinrichsen, diretor de consultoria da Brunoro Sport Business (BSB). A empresa desenvolveu pesquisa na área, com base em negócios feitos no exterior e perspectiva de mercado no Brasil, e estima que, aqui, nenhuma das arenas da Copa, em situação normal, vai render mais anualmente de 2,5% do valor de construção (com base nos valores atuais) em naming rights.
Por esse raciocínio, a arena corintiana, orçada em R$ 1 bilhão, levantará no máximo R$ 25 milhões/ano (o mais provável é R$ 21 milhões) e precisará de 12 anos para atingir o valor planejado. É um tempo razoável, embora no Brasil contratos de direito de propriedade não devam passar de dez anos.
''Não se pode descartar a possibilidade de aparecer alguma empresa e pagar um valor acima do mercado. Pode ter interesse em fechar o território em torno de sua marca, e não deixar a concorrência avançar'', considera Eduardo Rezende, sócio da BSB. ''Mas, em situação normal, tempo de contrato e valor serão mais baixos do que muitos propagam.''
Dos estádios e arenas da Copa, o que tem maior perspectiva de faturamento com os naming rights é o Maracanã, com R$ 23 milhões/ano, apesar da dificuldade que será associar o equipamento a outro nome. Depois vem o Itaquerão, em São Paulo. Arena das Dunas (R$ 6,4 milhões/ano), em Natal, e Arena Pantanal (R$ 5,4 milhões/ano), em Cuiabá, são os mais problemáticos.
Dificuldade
Um dos maiores problemas da relação entre o proprietário original da arena e quem adquire os direitos do nome é a falta de paciência. Normalmente, os dois lados querem retornos rápidos, o que, na maioria dos casos, não ocorre.
Essa frustração pode levar ao rompimento de contratos. Foi o que ocorreu na relação entre o Atlético-PR e a Kyocera, que passou a colocar o nome na Arena da Baixada. O acordo era por dez anos, mas depois de três, clube e empresa concluíram que não estava sendo bom negócio e romperam.
''Minha maior preocupação é com a paciência'', admite Ricardo Hinrichsen. ''Eu tenho dúvida em relação aos compradores. Três anos no Brasil é longo prazo.''
Eduardo Hinrichsen acrescenta que não existe fórmula única para se estabelecer contratos de naming right e recomenda: ''É preciso transparência (na relação). Do contrário, não dá certo''.


