Naldo vê briga acirrada na defesa da seleção
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domingo, 08 de fevereiro de 2009
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ele é londrinense e é ídolo na Alemanha. Se você pensou em Élber, errou. Aos 26 anos, o zagueiro Naldo, titular absoluto do Werder Bremen, vive a expectativa de voltar a ser lembrado pelo técnico Dunga, da seleção brasileira, em 2009. Porém, reconhece que a briga no setor é bastante acirrada.
Naldo foi revelado pelo Atlético Londrinense, mas ganhou projeção em 2004, quando defendeu o Juventude no Brasileirão. Em julho de 2005, se transferiu para o Werder Bremen. Dois anos depois, foi prestigiado por Dunga com cinco convocações. Também em 2007, integrou o grupo campeão da Copa América na Venezuela, mas depois foi preterido pelo treinador.
Em entrevista exclusiva à Folha, o londrinense fala do sonho de ir à Copa da África do Sul e da concorrência. Para ele, a dupla titular na Alemanha - Juan e Lúcio - já tem vaga garantida. ''São apenas mais duas vagas e o Brasil tem uma geração excelente'', disse o zagueiro.
FOLHA - Você fez parte de algumas convocações seguidas do técnico Dunga, chegou até a ser campeão da Copa América com a seleção. Mas de uns tempos para cá vem sendo preterido. Acha que perdeu espaço com o treinador ou o Dunga não precisa mais testá-lo?
Naldo - Eu fui convocado em 2007 para a seleção e fui campeão da Copa América. Acho que o Dunga continua me observando, mas tem outros grandes zagueiros. A defesa é hoje a posição mais disputada do Brasil. Eu procuro continuar tranquilo, sei que fiz um bom trabalho na seleção e, quando a comissão técnica achar que está na minha hora, estarei preparado.
FOLHA - Quem seriam seus concorrentes por uma vaga na seleção para a Copa do Mundo? Acha que Juan e Lúcio já estão garantidos?
Naldo - Juan e Lúcio foram os dois melhores jogadores da seleção na Copa do Mundo de 2006 e já conquistaram seus espaços. Nas Eliminatórias, eles também estão impecáveis. Com isso, fica muito difícil para os novos. São apenas mais duas vagas e o Brasil tem uma geração excelente.
FOLHA - O que falta para o Werder Bremen se consolidar como grande time na Europa?
Naldo - Acho que o Werder cresceu muito em poucos anos e, em questão de tempo, poderemos lutar contra as maiores potências do continente. Porém, já conseguimos grandes resultados. Por exemplo, nesta temporada, vencemos a Inter, em Milão. Temos um grande time, mas talvez falte um elenco grande, como tem o Manchester United ou o Chelsea. Não temos três jogadores por posição e, quando há desfalques, sofremos com isso.
FOLHA - Você acredita que o Werder conseguirá uma vaga na próxima Champions?
Naldo - Eu acredito que sim. No começo da temporada, muitos jogadores do nosso time se lesionaram. Entrávamos em campo algumas vezes com a equipe praticamente reserva. Isso prejudicou um pouco. Porém, agora todos estão recuperados e se esforçando muito. Nossa vitória sobre o Borussia Dortmund, na quarta-feira, mostra como podemos ir longe.
FOLHA - Como é o relacionamento com os outros brasileiros na Alemanha? Costumam se reunir, sair juntos?
Naldo - Sim. O Diego, que joga comigo aqui no Werder, é um grande amigo e nós sempre combinamos de passar um tempo juntos. Com os outros brasileiros é mais difícil de estar em contato. Por exemplo, o Rafinha também é de Londrina e nos conhecemos, mas, como ele mora em outra cidade, não conseguimos nos falar sempre.
FOLHA - Como foi a adaptação ao futebol alemão e à cultura alemã?
Naldo - A adaptação ao futebol foi muita boa. Aqui os zagueiros são estimulados a também participarem do ataque e os brasileiros acabam ganhando espaço, porque somos jogadores mais técnicos. O único problema é que o jogo aqui é mais físico, há mais encontrões. Quanto à cultura, eu ainda não consegui aprender direito a falar alemão perfeitamente, mas já consigo me comunicar bem.
FOLHA - Tem planos de atuar em outro país da Europa ou mesmo em um grande clube do futebol brasileiro?
Naldo - Eu estou muito satisfeito no Werder. Aqui todos me respeitam, eu ando pela cidade de Bremen e todos me reconhecem, me cumprimentam. Claro que se aparecer uma boa proposta eu posso analisar. Mas não tenho nenhuma pressa de sair.
FOLHA - O que guarda de bom dos tempos de Atlético Londrinense?
NALDO - Foi um bom início, guardo boas lembranças, já que conheci vários jogadores também. Lá eu conheci o Marinho, que foi zagueiro do Flamengo, e ele que me levou para o RS. O Luiz Alvorada fazia parte dos presidentes do Atlético Londrinense e também sempre me apoiou, conversando comigo para eu me dedicar e sempre viu que eu tinha futuro. Mas, eu não me profissionalizei lá, só no RS. E foi ali que começou tudo. Mesmo sendo uma passagem curta, foi muito importante na minha carreira.


