São Paulo, 30 (AE) - A liderança de Carlão na seleção brasileira masculina de vôlei já pôde ser sentida na primeira reunião do grupo, que se prepara para o Campeonato Sul-Americano. "O Nalbert pediu a palavra, afirmou que o Carlão sempre foi um ídolo para ele por seu trabalho e sua experiência, e, por isso, deveria ser o capitão do time", conta o técnico Radamés Lattari. "O restante da equipe aplaudiu o Nalbert, apoiando a atitude."
Depois de uma temporada no vôlei de praia, Carlão está trabalhando para voltar à seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano, que é classificatório para a Copa do Mundo. O jogador, que abandonou as quadras em 1997 e voltou nesta temporada para jogar no Telemig Celular/Minas, está motivado com a recepção dos companheiros e a perspectiva de disputar a Olimpíada de Sydney.
"Minha idéia é passar o seguinte: para chegarmos a uma medalha é preciso que o levantador mostre disposição para jogar na recepção ou o atacante vá levantar", diz. Segundo o jogador, medalha de ouro na Olimpíada de Barcelona, é essencial que todos estejam unidos em um mesmo objetivo, independentemente do bom relacionamento fora da quadra. A atual equipe possui esse espírito. Carlão mostrou reconhecimento ao gesto de Nalbert na questão da faixa de capitão. "São atitudes como essa que fazem dele o que ele é."
O atacante afirma que não deverá ter problemas para se readaptar à seleção. "No vôlei de praia o desgaste é muito maior, por isso não tenho encontrado problemas na preparação física", avalia. "Comecei em um ritmo mais lento no Minas e agora, na seleção, voltei a treinar forte."
Lattari afirma que o papel de Carlão no time é importante. "Ele está em ótima forma e tem uma experiência que 90% dos jogadores da atual geração não possuem." O fator liderança também contou. "Ele está bastante motivado, fator que eu considero fundamental para jogar na seleção."
Praia - Carlão fala com naturalidade de sua passagem pelo vôlei de praia. Apesar de não ter sido bem-sucedido em seu trabalho em dupla com Paulo Emílio - o jogador esperava conseguir uma vaga para disputar a Olimpíada de Sydney -, ele acredita ter amadurecido. "Eu estava estressado, depois de 14 anos na seleção", diz. "Na praia, a gente tem mais liberdade, escolhe quem vai te treinar, quem será seu preparador físico, tem maior poder de decisão sobre um monte de coisas."
Segundo ele, a fase foi uma oportunidade de aprender novidades que poderão ser usadas depois de encerrada a carreira como jogador, caso venha a trabalhar como técnico ou exercer função dentro da equipe.
Sua única decepção foi a rescisão de seu contrato. "A gente participou de uma etapa do Mundial nos Emirados árabes, que tinha um bom cachê, e deixou de disputar uma etapa do Circuito Banco do Brasil; o pessoal do Ourocap não gostou e eles rescindiram." Ele afirma ter entendido a atitude da empresa, mas considera o episódio com um mal-entendido. O caso, segundo ele, foi decisivo em sua volta às quadras.

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