Nadadores brasileiros seguem mesmo caminho de César Cielo
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Valéria Zukeran<br> Agência Estado 
São Paulo - César Cielo não vai ficar sozinho em sua nova temporada em Auburn, Estados Unidos. Mais dois nadadores brasileiros, Nicholas Santos e Henrique Barbosa, resolveram treinar com o campeão olímpico e recordista mundial sob a orientação do técnico australiano Brett Hawke e viajam nesta semana para a cidade do Alabama. O trio pretende fazer parte de uma equipe de atletas estrangeiros orientados por Brett Hawke e dividir uma casa alugada, que pertence ao nadador francês Fred Bousquet.
Apesar de treinar nas instalações da Universidade de Auburn, os brasileiros não estarão ligados à instituição nem a representarão nos eventos do campeonato universitário dos Estados Unidos. Por esse motivo, eles terão de bancar não só as despesas de manutenção - aluguel, alimentação, passagens - como o salário do treinador australiano, que é muito assediado por nadadores de todo o mundo.
Para Nicholas, de 29 anos, é um investimento. ''Tem gente que diz que não há muita diferença entre o trabalho aqui no Brasil e lá nos Estados Unidos, mas o fato é que eles têm conseguido resultados e quero ver como eles fazem. Pelo menos poderei ver a diferença com meus próprios olhos'', explicou o nadador, especialista nas provas dos 50 e 100 metros livre, que terá sua primeira experiência no exterior.
Segundo ele, o momento é ideal para pôr o projeto em prática. ''Esse é um ano sem muitas competições importantes, a maior será o Pan-Pacífico, então achei que era uma boa oportunidade de aprender algo novo e, se tudo der certo, melhorar minha preparação para o Pan de Guadalajara e os Jogos de Londres'', contou Nicholas.
A iniciativa contou com o apoio do técnico de seu clube, Alberto Silva, do Pinheiros, e de seu patrocinador, a Speedo brasileira. O nadador estima que gastará US$ 2 mil mensais entre treinos e manutenção nos Estados Unidos.
Henrique vai treinar no mesmo esquema de Nicholas, mas, ao contrário do companheiro, foi sondado pelo próprio Brett Hawke. ''Ele já tinha me procurado algumas vezes desde o Mundial perguntando se eu não teria o interesse em morar nos Estados Unidos'', contou. A experiência não é nova para o nadador de 25 anos, que é especialista nos 100 e 200 metros peito. ''Já morei na Califórnia, onde estudei, e na Flórida.''
Ele vinha treinando na França, apesar de ser nadador do Pinheiros, e afirma que também está em busca de um aperfeiçoamento. ''Em geral, a estrutura nos Estados Unidos é muito profissional. A preparação física é até um pouco mais avançada e o estilo de trabalho mais direto'', comentou Henrique.
De acordo com César Cielo, de 23 anos, treinar nos Estados Unidos é indispensável para quem busca voos maiores na natação. ''Ficar em Auburn, longe da família e dos amigos, é um pouco monótono, mas é necessário. Lá acaba sendo melhor para treinar, a gente tem hora para tudo, para ir à piscina, comer, dormir. Cuida melhor da alimentação, do corpo, do descanso'', explicou.
A presença de Henrique e Nicholas, segundo o campeão mundial e olímpico, será muito benéfica. Afinal, uma das maiores dificuldades de se treinar no exterior é a solidão. ''O ruim é ficar longe dos brasileiros como no ano passado, em que dividi a casa com um monte de gringos, cada um falando uma língua diferente'', lembrou César Cielo. ''Vai ser bom ter amigos por perto, pessoas que falam a mesma língua.''
Alerta
Alberto Silva diz que um intercâmbio nos Estados Unidos pode ser benéfico para um nadador, mas não é uma regra. ''Apoio, por exemplo, a iniciativa do Nicholas. A experiência pode ajudar na carreira dele, que quer sair de 4º, 5º lugar nos principais eventos para uma medalha. O mesmo se passa com o Henrique, que é um nadador do mundo'', declarou o treinador brasileiro. ''No entanto, não acho positivo para nadadores muito jovens, ainda em formação, que pensam nos Jogos de 2016.''


