Um nadador de 53 anos foi o felizardo escolhido em Londrina para representar o Brasil nos Jogos Parapan-Americanos de 2007. A competição acontece logo após o Pan, entre 7 e 19 de agosto, no Rio de Janeiro. O único pé-vermelho na lista é Francisco Martins, que integra a equipe da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) e compete na categoria S-4 (para atletas com lesão nas duas pernas).
Nas competições e também no Parapan, Martins terá como adversário ninguém menos do que Clodoaldo Silva, ganhador de sete medalhas de ouro na Paraolimpíada de Atenas, em 2004. Os dois duelam nas provas dos 50m, 100m e 200m livre. ''Enquanto eu não tinha a vaga assegurada, ele (Clodolado) era meu adversário. Mas agora que estamos garantidos, seremos companheiros no Pan''.
Seo Chico, como é ele conhecido entre os colegas da Adefil, não acha injusto o critério do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) de colocar para competirem lado a lado dois atletas com mais de 20 anos de diferença - no caso, ele e Clodoaldo. ''Sempre foi assim nas competições e já nos acostumamos. A divisão de categorias é somente pelo grau da lesão'', explicou.
O paraatleta se diz feliz só pelo fato de estar podendo competir na sua idade e depois de ter sofrido a lesão que tirou totalmente o movimento de suas suas pernas, em 1994. ''Tive uma anemia que evoluiu para paraplegia espática. Fiquei um ano e três meses de cadeira de rodas, depois fui para um andador e depois para a bengala. Só em 1996 é que comecei a fazer hidroterapia e daí em diante tudo mudou'', recorda Seo Chico, que trabalhava como pedreiro antes de ser pego pela doença - foi aposentado por invalidez.
''Hoje sou uma pessoa ativa graças à ajuda que tive de muita gente, em especial do professor de fisioterapia Jeferson Rosa, do HU (Hospital Universitário da UEL), que apostou na minha recuperação por meio do esporte'', relatou. Desde que começou a competir, há cerca de dez anos, Seo Chico já ganhou 72 medalhas e participou de cinco Campeonatos Brasileiros. Sua rotina é dividida entre os treinos diários na piscina aquecida do Iate Clube e as sessões de fisioterapia duas vezes por semana no HU.
O paraatleta tem os apoios da Fundação de Esportes (FEL), Estacenter, Iate Clube e Axis Clínica de Fisioterapia.

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