Curitiba - Artilheiro do Campeonato Brasileiro com 25 gols e próximo de bater o recorde de 31 de Dimba, obtido no ano passado, o atacante Washington, 29 anos, do Atlético Paranaense, vive um dos seus melhores momentos da carreira. Uma situação difícil de ser imaginada há dois anos, quando um problema cardíaco por muito pouco não o eliminou do futebol. ''Foi um momento delicado, em que a única coisa que eu pensava era em voltar a disputar uma partida.''
O problema de Washington foi constatado em novembro de 2002, quando estava no Fenerbahce, da Turquia. Com o risco iminente de infarto, fez uma angioplastia na Europa, onde recebeu um ''stent'' (prótese metálica para manter a artéria desobstruída), mas que custou o fim da temporada.
De volta ao Brasil, seis meses depois, Washington foi contratado pelo Atlético. Antes de entrar em campo, porém, o atleta passou por exames médicos que detectaram a necessidade de um cateterismo e após isso, outra angioplastia.
Segundo o cardiologista Costantino Roberto Costantini, responsável pela segunda cirurgia, houve a necessidade de colocar dois ''stents'' cobertos com medicamentos na artéria principal e em uma artéria secundária, e Washington, que realizava exames clínicos periódicos, reagiu muito bem.
Sua recuperação lhe valeu o apelido de Coração Valente, que a torcida sempre lembra a cada jogo. Além disso, o atleta se transformou em um referencial de superação e sempre participa de campanhas relacionadas à saúde. ''É importante servir como exemplo depois de todo o problema que passei. Isso me orgulha muito. Serve para as pessoas verem que qualquer problema que tenham, podem ser superados. Basta acreditar muito em Deus e em si próprio'', disse o atacante, que na última semana entrou em campo com uma faixa alusiva ao Dia Internacional do Coração.
Mesmo com a situação normalizada, Costantini afirma que o jogador, que é diabético, tem consciência dos cuidados a serem tomados. ''Ele sabe que grande parte do sucesso depende do controle rigoroso dos fatores de risco, especialmente do diabetes.''
Para Washington, que é o capitão e um dos atletas mais experientes do grupo, o novo desafio agora é aproveitar a boa campanha da equipe e ser campeão brasileiro, ele, que antes dos problemas cardíacos fraturou a fíbula direita por duas vezes, o deixando cinco meses afastado do campo em 2000, quando defendia o Paraná Clube. ''As maiores dificuldades agora estão dentro de campo, com os adversários marcando bem mais, mas esse é o preço pelo futebol que nossa equipe vem jogando'', concluiu Washington.

mockup