Na volta ao Brasil, Marta diz ter realizado um sonho
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Agência Estado 
Rio - Eleita pela Fifa como a melhor jogadora de futebol do mundo na segunda-feira, Marta recebeu ontem, em seu desembarque no Rio, uma demonstração do reconhecimento pelo feito. Em meio a sorriso e lágrimas, ela foi saudada pelos torcedores no Aeroporto Internacional Tom Jobim, e se emocionou, principalmente, porque as manifestações espontâneas de carinho ocorreram no ''País do futebol masculino, não do feminino''.
''É muita coisa, sempre sonhei com isso, mas é muita emoção para mim. A ficha ainda não caiu'', disse Marta, que em 2004 terminou a eleição da Fifa em terceiro lugar e, no ano passado, foi a segunda colocada. ''Tive um bom desempenho em 2006 e achava que agora não tinha como escapar.''
Marta, 20 anos, chegou ao Rio, depois de receber o prêmio da Fifa na Suíça, e aguardou ansiosa pela conexão para Alagoas, onde vai descansar alguns dias em sua cidade natal, Dois Riachos. Na bagagem, além do troféu, trouxe a esperança de, com o título, sensibilizar os dirigentes brasileiros a investirem no futebol feminino no Brasil.
Mas a melhor jogadora do mundo foi realista e disse não se iludir com promessas. Lembrou que logo após a conquista da medalha de prata da seleção feminina nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, ''muitos'' falaram que a modalidade deslancharia no Brasil e ''deu no que deu''.
Sobre o contato com Ronaldinho Gaúcho na mesma cerimônia da Fifa - o craque do Barcelona acabou como terceiro melhor jogador do mundo em 2006 -, Marta contou que o consolou após a premiação. Ela revelou que o incentivou e até disse tê-lo como uma inspiração. ''O Ronaldinho já sabia o que iria acontecer. Falei a ele para seguir em frente e mostrar seu potencial'', declarou Marta. ''Sou fã dele e, às vezes, dizem que nosso futebol é parecido.''
Apesar de adorar o Brasil, Marta afirmou que tão cedo não volta para o País. Além do problema da falta de infra-estrutura, a jogadora contou estar bem adaptada na Suécia, onde há dois anos defende o Umea. ''Sair de lá só se for para outro clube europeu'', explicou.


