A seleção do Paraguai tinha tudo para ter um amplo reduto de torcedores deste lado da fronteira. Tinha, porque lá na Vila Paraguaia, na região oeste Foz do Iguaçu, próximo ao centro da cidade, quando o assunto é futebol, dá-se muito mais valor à qualidade de quem está jogando do que às ligações sentimentais com a terra natal.
– Se o Paraguai tivesse um time bom, a gente até torceria... – resume o comerciante Cláudio Aguaio, brasileiro de 51 anos, filho de pai paraguaio e mãe argentina, com um sotaque de quem estudou e trabalhou em cada um dos países que formam a Tríplice Fronteira no Oeste paranaense.
Dora, nascida em Machoquin, próximo à Assunção, casada com Alex Barbosa, paranaense de Jandaia do Sul, faz coro com Sueli, a esposa de Aguaio:
– Quando o Paraguai joga com outros times, a gente torce para ele. Aqui, a gente só não gosta mesmo da Argentina.
Morador de primeira hora do bairro, formado a partir da década de 50 principalmente por paraguaios que vieram tentar a sorte no Brasil, Aguaio, o popular Chulé, explica que o país vizinho não consegue montar um time – seja a seleção, sejam os clubes – que entusiasme a região da fronteira.
– Na Copa América mesmo, os chiru (como referem-se aos paraguaios), daqui e de lá, torceram todos para o Brasil – afirma Chulé, que arrisca um palpite para o ‘‘pega’’ de hoje em Assunção: 3 a 0.
Adivinhe para quem?

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