Na Portuguesa, Zagallo afirma que sai "de cabeça erguida"
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domingo, 03 de outubro de 1999
Por Ricardo de Souza 
São Paulo, 054 (AE) - Insatisfeita com os maus resultados da Portuguesa no Campeonato Brasileiro, a diretoria da Lusa demitiu
hoje pela manhã, o técnico Zagallo e o preparador físico Luiz Carlos Prima. A decisão foi tomada ao fim de uma reunião de 50 minutos entre o treinador, o presidente Amílcar Casado e o vice-presidente de FuteboL, Ilídio Lico. O técnico da equipe de juniores, o ex-zagueiro Juninho, será o treinador interino da Portuguesa.
Segundo Zagallo, sua saída do clube ocorreu "sem mágoas". A diretoria da Portuguesa não precisou pagar a multa rescisória do contrato. Foi fechado um acordo que garante o pagamento integral dos salários de Zagallo (cerca de R$ 120 mil) e Prima (R$ 80 mil) até 31 de dezembro, quando terminaria o contrato dos dois. "Saio de cabeça erguida, da mesma maneira que cheguei aqui", disse o treinador.
Ao deixar o clube ao lado de Prima, Zagallo demonstrou tranquilidade. "Isso faz parte da vida de todo treinador", conformou-se. "Ocorreram maus resultados por causa da perda de jogadores, o que eu previ há três meses."
Zagallo disse que não deixou o clube antes por uma questão de "hombridade" e respeito aos jogadores. "Seria muito fácil eu ter aceito, no início do campeonato, uma proposta do Corinthians
um time cheio de estrelas, fora outras que recebi do exterior"
disse o técnico. "Por uma questão de integridade profissional, não fiz isso."
Sobre a primeira passagem por um clube paulista, Zagallo disse só ter a agradecer. "Sou grato à diretoria da Portuguesa por ter aberto as portas de São Paulo para mim, a esse excepcional grupo de jogadores com quem tive o orgulho de trabalhar e ao público paulista, que pôde me conhecer melhor", afirmou.
Zagallo admite ter sofrido algum desgaste nas últimas semanas. Afinal, foram sete jogos consecutivos sem vitória. A Portuguesa - com 12 pontos em 13 jogos na tabela de classificação - ganhou apenas 2 dos últimos 21 pontos disputados. "Apesar de o time ter jogado bem em várias partidas, o bafejo da sorte não veio", lamentou Zagallo, que, por coincidência, foi demitido antes de a Portuguesa chegar aos 13 pontos, seu número de sorte.
Além do mau desempenho da equipe no Brasileiro, outros fatores contribuíram para acelerar o desgaste de Zagallo e Prima na Portuguesa. O principal foi a decisão do treinador de deixar Prima sentado ao seu lado no banco de reservas, deixando fora o preparador físico Luís Inara, que começou a carreira na Lusa. A atitude não agradou a alguns conselheiros do clube.
A diretoria da Portuguesa vai marcar uma reunião para decidir sobre possíveis nomes para substituir Zagallo. No entanto, a intenção do vice-presidente Ilídio Lico é manter Juninho na direção da equipe até o fim do campeonato.


