Na pista, a velha guarda e o futuro
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sexta-feira, 27 de agosto de 2004
Reportagem Local 
A Stock Car V8 está definitivamente consagrada como maior espetáculo do automobilismo brasileiro. O notável nível de competitividade, o estágio avançado de evolução tecnológica e a boa estrutura empregada pelos organizadores e pelas equipes são predicados que podem ser conferidos neste domingo no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, onde a oitava etapa da temporada, acompanhada da sexta rodada dupla da classe Light, terá em evidência na pista um atrativo encontro de gerações.
Ao mesmo tempo em que destaca nomes que escreveram sua história em 25 anos, a Stock Car reserva olhares mais atentos a jovens pilotos que representam seu futuro. ''A molecada está vindo com tudo, e isso faz um bem tremendo para a categoria'', constata Ingo Hoffmann (Filipaper/SAB Trading), 51 anos, maior vencedor da história da categoria. Quando conquistou o primeiro de seus 12 títulos, em 1980, pilotos de destaque na atualidade, como Thiago Camilo (Golden Cross/Eurofarma), quinto colocado na pontuação da classe principal, e Diogo Pachenki (Lamiwood/A Fórmula), líder da Light, sequer tinham nascido.
Thiago estreou na classe Light em 2001, com 16 anos, sem passar pelo kart. Seu pensamento era diferente do da maioria dos adolescentes. ''A maioria quer ir para a Fórmula 1. Eu sempre sonhei com a Stock, olhava para aqueles carros e ficava me imaginando no volante'', lembra o piloto, que tomou intimidade com a categoria acompanhando as corridas do pai, Bel Camilo, e do tio, Sérgio Ruas. Integrando a subdivisão principal desde 2003, Thiago vem se destacando já fez uma pole e terminou duas corridas em segundo.
Diogo, ao contrário, teve uma passagem marcante pelo kart. Com vários títulos, atuou na Fórmula Júnior e desde 2002 está na Stock Light. Neste ano, venceu cinco das dez corridas. Ele justifica a opção pela Stock com o retorno proporcionado. ''Nas categorias de monopostos, você gasta um caminhão de dinheiro e não tem toda essa visibilidade'', considera. ''Além do mais, é a chance mais próxima de você se tornar um piloto profissional'', acrescenta o paranaense, que já sonda a classe V8 para a próxima temporada.
O potencial demonstrado pelos jovens pilotos não surpreende Chico Serra (Texaco/Orbitall), 47 anos, tricampeão da Stock Car entre 1999 e 2001. ''Tempos atrás, a opção natural de todo piloto em início de carreira era tentar correr em alguma categoria de fórmula na Europa. Agora, estão vendo que aqui existe um excelente campo de trabalho, tanto é que muitos pilotos que estavam correndo lá fora estão na Stock'', explana. ''A garotada chegou, se adaptou bem e o resultado é isso que todos estão vendo, um processo de renovação maravilhoso''.
Primeiro campeão da história da Stock Car, Paulo Gomes (Katalogo), 56, entende que a tecnologia avançada é um atrativo a mais para os jovens pilotos. ''Isso chama atenção dos meninos. É um mundo bem diferente de quando a Stock começou em 1979'', lembra o tetracampeão, que neste ano completa 40 anos de carreira no automobilismo. ''E com fôlego para mais um pouco'', garante. A presença de Paulão, diga-se de passagem, sintetiza bem a transição vivida pela Stock Car. Seu filho Pedro, 23, venceu a prova de quatro semanas atrás em Curitiba.


