São Paulo, 15 (AE) - Marcelinho tem um objetivo pessoal a partir de amanhã à noite, quando o Corinthians estréia na Taça Libertadores da América: usar o principal torneio sul-americano como vitrine para voltar à seleção brasileira, na qual atuou pela última vez em 1998. "Aos 28 anos e pai de três filhos, sei que é chegado o momento de mudar meu temperamento dentro e fora do campo", disse o jogador, que está no Corinthians desde dezembro de 1993.
"Quero jogar as eliminatórias e disputar a Copa de 2002", afirmou. "Sei que, no próximo Mundial, estarei no auge da forma e, ao mesmo tempo, ele poderá ser minha última oportunidade."
Marcelinho disse que suas antigas desavenças com o técnico Wanderley Luxemburgo não vão atrapalhar sua sonhada volta ao selecionado brasileiro. "Aprendi muito com ele (Luxemburgo) e minha carreira tomou um outro rumo após os 19 dias que fiquei no cativeiro", lembrou o atacante, referindo-se ao período em que ficou fora do time corintiano em 1998.
No jogo desta quarta à noite, contra o América, na Cidade do México, Marcelinho volta a ser o capitão do Corinthians, função que era exercida pelo colombiano Rincón. "Não significa que vou exercer liderança sobre os jogadores, mas, com certeza, traz uma carga de responsabilidade muito grande."
Sua rápida passagem pelo Valencia, da Espanha, segundo o jogador, pode ter colaborado para a falta de oportunidade na seleção brasileira. "Tive problemas de contusão e, por estar fora do noticiário, meu futebol não pôde ser analisado com exatidão."
Sem confusão - Expulsões, brigas com avdersários e companheiros de equipe e discussões com treinadores, segundo Marcelinho, fazem parte do passado. "Chega de confusão, tudo de ruim que deveria acontecer em minha carreira já aconteceu; agora é o momento de colocar a cabeça no lugar e os pés no chão."
Marcelinho desmentiu os boatos de que um mau relacionamento com Rincón tivesse colaborado para a saída do colombiano do clube. "Isso não existe e tudo está sendo analisado em um nível muito baixo; prefiro nem comentar sobre esse assunto."
Marcelinho elogiou o ex-companheiro dentro e fora de campo. "Vai ser difícil substituí-lo", analisou. "Freddy possui uma experiência de três copas do mundo que o tornam essencial para qualquer equipe", continuou. "Não acredito que exista no futebol brasileiro alguém no seu nível técnico; o substituto terá de chegar de fora."
Sobre a Libertadores, Marcelinho acredita em uma disputa "caseira". "Nossos maiores adversários serão os times brasileiros", disse o jogador. "Nos últimos anos, os torneios sul-americanos estão sendo decididos entre nós (brasileiros) e a tendência vai seguir, pois continuamos com a melhor estrutura e os times mais fortes."
Segundo Marcelinho, o fato de o Corinthians disputar pela segunda vez consecutiva a Libertadores mostra que o clube está no caminho certo. "É um grupo que joga junto há dois anos e tem um padrão de jogo definido", disse. "Em um torneio mata-mata como este, temos meio caminho andado."

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