Que tal uma vitória na Ilha do Retiro? Por mais improvável que o convite se apresente, o Londrina está disposto a surpreender o Sport hoje à tarde, às 16 horas, em Recife, em partida válida pela oitava rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Durante a semana, o discurso motivacional do técnico Roberto Fernandes parece ter surtido efeito: os jogadores estão motivados. Personalidade e ousadia é a combinação preferida para conquistar a primeira vitória fora de casa.
Muito embora o consenso leve ao discurso dos três pontos ''Se eu for pensando em empatar, acabo perdendo o jogo'', palavras do treinador não há muito o que esconder: um empate diante de um dos favoritos a conquistar uma vaga à elite do futebol brasileiro será muito bem bem-vindo. A boa fase do ataque do time ajuda a explicar a alta dose de entusiasmo. E não é à toa. O quadrado ofensivo do Londrina é responsável por nove dos 15 gols do Tubarão, time mais ofensivo do campeonato (ao lado do Santa Cruz).
Contudo, o quarteto está desfigurado. Com a suspensão de Valdeir, que recebeu o terceiro cartão amarelo contra a Anapolina, Fernandes abriu mão do sistema com quatro homens de frente para deixar sua defesa mais protegida. Optou pela entrada de mais um meia de contenção, Júnior Gaúcho, o estreante da vez. Não por isso, o time deve perder em ofensividade. Com três volantes, Marcelo Silva, Fumaça e Paraguaio (juntos oito gols) devem ter mais liberdade para atacar.
A maior preocupação de Fernandes é não tomar gol. Nos dois jogos anteriores, contra Portuguesa e Anapolina, o time saiu atrás no marcador, mas teve ''punch'' para virar. ''O time precisa ficar atento nos detalhes. A defesa não pode dar brechas, vacilar. Nos dois últimos jogos, tivemos personalidade para virar. Agora, se isso voltar a acontecer, vai ser muito mais difícil. Não podemos tomar o primeiro gol'', alertou o treinador, no coletivo-apronto de quinta-feira.
Natural de Recife, o treinador começou sua carreira no futebol jogando no Náutico, arquirrival do Leão. Mesmo assim, Fernandes afirmou que não deve sentir nada de especial se conseguir uma vitória na Ilha do Retiro. O que ele mais fala é de respeito à tradição do Sport. ''Para ser realista, tive mais prazer quando ganhei do próprio Naútico por outras equipes. Pelo Sport, fica muito mais o respeito profissional'', explicou.
Fernandes tem na manga uma carta-coringa para tranquilizar seu grupo na hora do jogo. É o volante Dário, 31 anos, cinco vezes campeão pernambucano pelo Leão na década de 90. ''É preciso muita personalidade para jogar na Ilha. Temos que usar a inteligência. O plano é marcar forte no meio para ganhar a posse de bola e sair com velocidade no contra-ataque. Quem quiser chegar, tem que buscar ponto fora de casa. Em casa, está todo mundo fazendo sua obrigação'', alertou o meia.
O Londrina tem um segundo compromisso fora de casa. Na terça-feira à noite, provavelmente às 20h30, enfrenta o Joinville, no norte catarinense.

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