Na grande área (Paulo Cesar Vasconcellos - interino)
A vida de Ronaldinho volta ao normal, mas as especulações sobre o que aconteceu com o melhor jogador do mundo continuam. É história com vários desfechos e nenhum suficientemente convincente. Mas que fique claro um ponto: não foi por causa do problema do atacante do Inter de Milão que o Brasil perdeu a Copa. O time que entrou em campo naquela tarde de 12 de julho, no estádio de Saint Denis, não estava com espírito para ganhar o título mundial.
Atribuir o pífio desempenho da equipe ao problema vivido por Ronaldinho é querer preservar os outros 10 integrantes do time que simplesmente assistiram de dentro do campo ao que muitos viram das cadeiras, arquibancadas e tribunas e, a maioria, pela televisão. Se existisse tanta preocupação assim com o estado de Ronaldinho, no momento em que o atacante se chocou com o goleiro Barthez - caiu e ficou imóvel no gramado - todo o time teria corrido em sua direção. Mas o que se vê nas imagens? Apenas Cafu e Bebeto, este mais a distância, se preocupam em observar como está Ronaldinho.
A idéia sobre a falta de postura do time brasileiro aumenta ainda mais com a exibição de um documentário feito com a seleção da França e exibido pelo Canal Plus. Na véspera do jogo, o técnico Aimé Jacquet conversa muito com os seus jogadores de defesa. Mostra preocupação com as jogadas que Rivaldo e Ronaldinho podem armar. Fala, gesticula, repete. Sai de cena e entra então o elegante Desailly. Cercado pelos outros três companheiros de zaga - Thuran, Leboeur e Lizarazu -, o jogador do Milan começa a mostrar para seus interlocutores como Ronaldinho faz suas jogadas. Passa o pé por sobre a bola, imitando o drible clássico do atacante; simula suas arrancadas e tem diante de si seis olhos mais do que atentos. Termina avisando que em nenhum momento o time pode perder de vista o atacante que entrou em campo em precárias condições físicas.
As imagens levam a uma associação de idéias. Será que em algum instante os zagueiros brasileiros conversaram sobre a forma como Zidane costuma jogar? Será que os nossos atacantes discutiram as deficiências da defesa francesa? Acredito que não. Preferiram o alegre dois-toques, programa obrigatório de todas as vésperas de jogos, e vestiram o uniforme da soberba. Raciocínio compreensível para quem entrou no bonde de que, ao vencer a Holanda, a conquista da Copa do Mundo era apenas uma questão de dias. Pensamento injustificado para uma equipe que só chegou à final porque superou suas deficiências mais com o pulmão do que com os pés. Título só vem com trabalho, dedicação e suor. Ninguém ganha mais jogo na fotografia, no valor de cada um dos seus jogadores ou nos apartamentos que carrega no pulso, disfarçados de relógio.
Até que enfim, o título
Salve a seleção masculina de vôlei de Cuba! A vitória na Liga Mundial, vencendo Holanda, Itália e Rússia, mostra que o principal problema deste time foi superado: a falta de concentração. No início dos anos 90, os cubanos apresentaram uma geração que tinha tudo para mudar a geografia de títulos do esporte. Joel Despaigne, Beltran e Diago eram as estrelas de uma seleção que cortejava o pódio com incrível sedução, mas na hora do sim dizia não.
Dos três citados no parágrafo anterior, o levantador Diago foi o único que ficou. Despaigne foi engolido pela evolução do esporte - tem 1,90 m e de gigante desceu para a condição de baixinho - e Beltran tragado pelo tempo. Restou a malícia de Diago, levantador com jeito de William, só para situar o leitor. Mas surgiu Hernandez, um garoto formado nas escolas de vôlei de Havana e que lapidou o bloqueio e as cortadas. No limiar dos anos 90, Cuba consegue um título importante para o próprio país, que continua mergulhado em grave crise econômica, e expressivo para o esporte dentro da Ilha. Cria ídolos e com isso garante o prosseguimento na produção de jogadores.
Pelo telefone
Tem um candidato ao cargo de técnico da Seleção Brasileira que desenvolveu uma maneira peculiar de atender ao telefone. Ao invés do corriqueiro e banal alô; do oi, muito comum para meninas adolescentes; ou do mal-humorado fala, ele prefere a pergunta: Quem me incomoda? Nada mais antipático. Cria em quem liga o constrangimento de se sentir um invasor e já deixa também uma péssima imagem gravada no inconsciente do interlocutor.
Se for realmente o próximo treinador do Brasil, ele terá que mudar esta postura. Dirigir a Seleção Brasileira significa perder o sossego, conviver com críticas educadas e grosseiras, desagradar mais do que agradar e ter tudo o que faz questionado. Decididamente, a indagação quem me incomoda não fica bem para um cargo que pede muita elegância.
Rápidas e rasteiras
- O futebol brasileiro se supera a cada dia. Para o Campeonato Brasileiro que começa neste fim de semana, os clubes estão fazendo uma pré-temporada. Só que as competições se iniciaram em janeiro. Mas como aqui tudo é diferente...
- Arranca a seleção masculina de basquete para o Campeonato Mundial na Grécia. Pela primeira vez em anos não terá o ala Oscar como seu principal jogador. Não haverá substituto para a maior referência do esporte no país e nem o técnico Hélio Rubens pensa em encontrar alguém que se transforme em cover do Mão Santa. Bendita decisão de Hélio Rubens. Ao querer que cada um seja apenas o que é, o treinador tira da camisa de todos os jogadores um peso que nenhum deles conseguiria carregar. Oscar só existiu e existirá um.
- O golfe está cada vez mais sedutor para Michael Jordan. O argumento de que só continua no Chicago Bulls se Phil Jackson for mantido como treinador é conversa de quem não aguenta mais a vida nas quadras. Jordan quer passar os próximos anos dando tacadas e de vez em quando batendo suas peladas de basquete com os amigos. O problema é que estes jogos correm o risco de ter mais público do que uma partida da NBA.
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