Está aberta a temporada de sucessão para o cargo de Zagallo. O ciclo de Zagallo se encerrou e, se o penta viesse, a tarefa seria mais complicada, mas como ficou estacionado numa tarde de domingo no estádio Saint Dennis não será tão difícil assim. A seleção do próximo milênio terá um outro perfil.
O trabalho de Zagallo termina e com ele arrasta os outros integrantes da Comissão Técnica. Engana-se quem nos seus cálculos coloca o tempo de preparação do Brasil para a Copa de quatro anos. O trabalho tem que começar imediatamente, porque os Jogos Olímpicos de 2000 em Sydney já batem na porta. E desta competição sairá a base para a primeira Copa do Mundo do século XXI e em dois países - Japão e Coréia. Será da Olimpíada que virá a inspiração para o time de 2002.
Na disputa pelo cargo mais cobiçado e estressante do mundo aparecem os nomes de Carlos Alberto Parreira, Wanderley Luxemburgo, Paulo Cesar Carpegiani e Paulo Autuori. A ordem na lista é de acordo com o peso de cada um. Parreira é o nome da preferência pela maneira com que trabalha um time a longo prazo. Tem a seu favor o tetracampeonato, o conceito fora do País e o fato de ser considerado um grande estrategista dentro da própria entidade.
Já o caso de Wanderley é diferente. Ele já trafegou várias vezes pela reta de chegada na briga pelo cargo. Só que no momento de cruzar a linha ficou sempre para trás. Perdeu a corrida para Carlos Alberto Parreira em 94 e depois para Zagallo em 98. As duas derrotas o amadureceram, mas há um traço preocupante na personalidade do técnico do Corinthians: sua dificuldade em se relacionar com jogadores famosos. Seleção Brasileira é um poço de vaidades e desse assunto Luxemburgo entende muito bem. Só que, geralmente por causa desse que é um dos maiores defeitos do ser humano - não tem jeito, ele não consegue se libertar -, Wanderley entra em rota de colisão com os jogadores que comanda. Se quer - e ele quer! - dirigir o Brasil terá que mudar a sua personalidade e o conceito de que o técnico é mais importante do que os jogadores.
Os outros dois nomes, embora pouco cotados, têm simpatia pela novidade que representam. Carpegiani saiu da França em alta. O Paraguai foi eliminado pelo campeão do Mundo e, mesmo assim, somente na decisão por morte súbita, aquele que lembra o fim de uma pelada, quando o primeiro gol manda todo mundo embora para o vestiário. Além da performance do time que treina, Carpegiani é um profissional que conta com o respeito e admiração de Zico. Caso o ex-craque do Flamengo fique na Seleção - o que só será decidido em agosto -, a estrada de Paulo Cesar Carpegiani não terá tantas lombadas assim.
Paulo Autuori é o sopro de renovação. Sua performance na segunda metade destes anos 90 é de fazer Luxemburgo morrer de inveja. Não fosse a malsucedida passagem pelo Flamengo - mas, convenhamos, que ali é muito difícil dar certo - não haveria nenhum tipo de crítica ao seu trabalho.
O Brasil na Libertadores
Adeus, Copa do Mundo. Olá, Libertadores. Ao vencer o River Plate o Vasco dá um pouco de alento ao torcedor que anda de cabeça inchada pelo que aconteceu no Stade de France, no último domingo. Melhor time do Brasil, na última temporada, o clube da Cruz de Malta tem a chance de resgatar um orgulho que anda em farrapos.
E de onde vem o sucesso do Vasco? A origem está numa exceção: tem a dirigi-lo o mesmo técnico nos últimos dois anos.
Com erros e acertos, Antonio Lopes deu uma cara a esse time. Pode-se achá-la feia, bonita, mas nunca sem identidade. É uma pena que num país com tantos times e jogadores, que o cargo do técnico esteja sempre ligado a aparelhos. Venceu, eles ligam automaticamente e funcionam como um carro de Fórmula 1 na reta de chegada e em pista seca. Perdeu, o aparelho é desligado e ao técnico não resta nem um tilburi para levá-lo em casa.
Bate pronto
Os internautas que curtem o futebol têm, agora, mais uma diversão. O ‘‘Jornal do Armando Nogueira’’ traz uma enquete com curiosidades das Copas do Mundo.
Os navegantes que acertarem as duas perguntas que estão na seção Passaporte concorrerão ao sorteio de um autógrafo com dedicatória de um craque da Seleção Brasileira.
Rápidas e rasteiras
• O Brasil desapontou de novo, só que desta vez foi na Liga Mundial de vôlei masculino. Dependendo apenas de uma vitória contra a Rússia para passar à fase decisiva da competição, o jovem e promissor time de Radamés Lattari não conseguiu se encontrar em quadra e perdeu por três sets a zero. Foi a primeira vez que o Brasil ficou fora das finais.
• Bonito fez o judoca Edmílson Conceição, que garantiu prata para o Brasil nos Jogos da Juventude em Moscou, categoria até 81 quilos. O judô sempre obteve grandes resultados em competições internacionais. E este gaúcho, que pela primeira vez se aventurou Brasil afora, não decepcionou. Vice-campeão, sim. Com louvor.
• Vasco x Corinthians, Flamengo x Botafogo, Palmeiras x São Paulo, Atlético-PR x Coritiba, Atlético-MG x Cruzeiro, Inter x Grêmio. Isto é apenas a primeira rodada do Campeonato Brasileiro, que começa no dia 25 de julho. Jogos que podem lotar os estádios e mostrar quem veio pra falar grosso e quem está de brincadeira.
• Após um longo e exaustivo trabalho, Armando Nogueira, titular desta coluna, sai de campo e entra no vestiário. Enquanto ele recarrega as baterias, eu procuro jogar da forma mais eficiente possível.
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