E a seleção, amigo? - me pergunta o Pestana. O Pestana, sempre que pode, me provoca. Ele sabe que estou torcendo pro Luxemburgo acertar na seleção, como acerta em todas as equipes que comanda.
A pergunta não chega a me embaraçar. Simplesmente porque o que vimos em São Luís do Maranhão não foi uma seleção. Aquilo é o que, nos bons tempos, a gente chamava combinado. Um arranjo, de ocasião, pra encher os olhos do povo em dia de festa pública. Pra comemorar o 1º de Maio, por exemplo, o Ministério do Trabalho descolava um dinheiro pro doutor Vargas Neto fazer um amistoso no campo do Vasco. Misturavam Fla-Flu, de um lado, e Vasco-Botafogo, do outro. Vargas Neto era um sobrinho do Getúlio que dirigia a Federação Metropolitana de Futebol.
No dia seguinte, o jogo dos combinados não era mais assunto. Tal como ocorreu, agora, com o jogo Brasil x Iugoslávia. É por essas e por outras que não vejo cabimento ficar analisando o jogo, o técnico e os jogadores. Estou começando a pensar que os novos tempos vão nos trazer de volta, mais adiante, a figura do combinado. Tão passageiro, tão efêmero como a felicidade. Porque, seleção, amigo, essa entidade permanente que lateja no peito do torcedor, um dia, isso vai sumir do mapa do futebol como o mico leão está sumindo da mata atlântica.
Ainda ontem, os clubes europeus mandaram avisar a Fifa que não vão emprestar jogador, seja qual for, pra Copa das Confederações que será disputada no México, em janeiro. As Confederações dirão que é ordem de cima e os clubes terão de cumprir. Pois sim. Os clubes irão ao extremo de virar a mesa, contra a Uefa e contra a própria Fifa. Quem viver verá.
Quanto mais business for o futebol, menos bola o clube dará às federações e confederações. Pensando bem: o sujeito paga um bilhão de dólares por um clube, como é o caso do Manchester, aí aparece a Fifa, com a cara mais lavada desse mundo, e leva os Ronaldinhos, os Owens, os Zidanes da vida pra jogar um caça-dólares na Arábia Saudita. E o clube, que vive de pires na mão, ainda é obrigado a ouvir João Havelange anunciar que a Fifa está botando dólar pelo ladrão.
Solta o braço, Érika!
Érika, a revelação do vôlei brasileiro, estará no Mundial do Japão, sim senhor. A moça tinha sido vítima de uma perversa leviandade. Foi no Mundial juvenil da Polônia, em 97. Divulgaram, então, um dado médico segundo o qual a taxa de hormônio masculino no corpo de Érika estaria acima dos limites normais de feminilidade. Sem o menor escrúpulo, os poloneses puseram a boca no mundo, insinuando que a jogadora estava mais pra rapaz que pra moça.
Felizmente, existe no Brasil um homem de alta competência científica e de grande autoridade moral que não hesitou em contestar o diagnóstico precipitado: é o professor Eduardo De Rose, membro da comissão médica do Comitê Olímpico Internacional e responsável maior pelo controle antidoping no esporte olímpico brasileiro.
O professor De Rose recorreu à Federação Internacional de Vôlei, dizendo que não é justo diagnosticar a sexualidade de alguém por um teste primário de cromossomos. Genética não é matemática: xx mais ou menos xy. Que fez o dr. De Rose? Pediu que a atleta fosse examinada por um médico de renome e, de preferência, neutro. Nem brasileiro, nem polonês. A própria Federação escolheu o professor Pugeat, que foi quem chefiou o controle antidoping nos Jogos Olímpicos de Inverno, na estação de Albertville. De Rose pegou Érika pela mão e a levou pessoalmente a Lyon, onde a moça foi exaustivamente examinada.
A investigação de sexo genético, dirá o laudo do professor Pugeat, ‘‘não encontrou absolutamente nada que impeça a Federação de conceder a Érika o atestado de feminilidade para participar de qualquer competição da FIVB’’. Érika passou, com nota dez, tanto nos exames genéticos quanto nos exames anatômicos. É mulher, sim, da cabeça aos pés.
Senhorita Érika, cortada nelas!
Rápidas e rasteiras
- Reabrem-se a Pelé as portas da Fifa. Blatter convidou-o a integrar a comissão de futebol formada por Platini, Beckenbauer, Di Stefano, Cruyff, Bobby Charlton, Weah e Ardiles.
- A memória de Florence já passou no primeiro teste: a necropsia não acusou o mais leve sinal de anabólico no corpo dela. A medicina legal americana, agora, vai fazer o exame toxicológico que é ainda mais específico e mais conclusivo. Se Flo-Jo tivesse tomado anabólico, a simples necropsia já seria capaz de revelar. É o que assegura a ciência médica.
- Vejo, na tevê, em ação, a tenista Ana Kournikova. Que viço! Que fulgor nas carnações da moça russa! Dezessete anos! Como diz um amigo meu, por onde passa, Ana Kournikova vai atiçando testosteronas pelo mundo afora!
- Aliás, afrontada pela beleza de Kournikova, a americana Lindsay Davenport, vencedora do US Open, deu uma entrevista, espinafrando a mídia por viver pondo nas nuvens a russinha e outras ‘‘pin ups’’ do tênis feminino. Davenport, que joga um tênis poderoso, é meio desajeitada de corpo e não chega a ser bem servida de semblante.

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