Sua majestade é o futebol, mas o esporte que me emocionou, no último fim-de-semana, foi o vôlei feminino, que viveu uma epopéia no Grand Prix, na China. Mal terminou o Grand Prix, as moças já vão começar a batalha do Mundial, em novembro, no Japão.
- Dá pra ganhar?, pergunto a Radamés Lattari, técnico da seleção masculina, que é um dos meus conselheiros em matéria de vôlei. Radamés considera o Brasil favorito, tendo Cuba nos calcanhares. Adiante, me explica por que melhorou tanto no fundamento-defesa a equipe do Bernardinho:
- Melhorou a defesa porque melhorou o bloqueio.
A relação entre os dois fundamentos está na cara: o bloqueio dificulta o contra-ataque adversário. Em verdade, o bloqueio, penso eu, tem duas faces distintas: é arma de defesa e de contra-ataque, também. Daí, a importância que os técnicos dão a esse empolgante recurso técnico-tático. Em suma: uma boa defesa começa na rede, com um bom bloqueio.
No papo telefônico com Radamés Lattari, propus o seguinte jogo entre as moças da elite do vôlei brasileiro: de um lado, a equipe campeã do Grand Prix: Leila, Virna, Fofão, Raquel, Karin e Ana Paula; do outro lado da rede, Ana Moser, Fernanda Venturini, Hilma, Ana Flávia, Érica e Janina. Por sinal, duas superseleções.
Perguntei quem, na opinião de Radamés, ganharia esse jogo?
Resposta dele, na ponta da língua:
- A equipe que estivesse sendo dirigida pelo Bernardinho.
A admiração que Radamés tem por Bernardinho só pode ser comparada à admiração que tem Bernardinho por Radamés.
O Vasco histórico
Tomara que alguém me pergunte qual é, a meu juízo, o segredo do Vasco da Gama, campeão brasileiro e sul-americano. Terei a chance de dizer que o time do Vasco é o único do primeiro escalão, no Brasil, cuja escalação o torcedor é capaz de cantar, de cor, do goleiro ao artilheiro. O Vasco é, basicamente, o mesmo, há duas temporadas.
É claro que haverá outras razões ponderáveis pro êxito do Vasco da Gama mas, essa, imagino que seja a primordial. Vivemos um tempo em que os clubes trocam tudo, a toda hora: jogador, camisa, técnico - e, nessa volúpia, mercantilista, troca-se a própria alma da equipe.
O livro ‘‘Campeonato Carioca, 96 anos de História’’, de Roberto Assaf e Clovis Martins, mostra que o Vasco da Gama venceu os campeonatos de 47, 49 e 50 praticamente com a mesma base de seis grandes jogadores: Barbosa, Augusto, Eli, Danilo, Maneca, Chico, Ademir (este, nos dois últimos). E sempre com o mesmo técnico: Flávio Costa.
Cinquenta anos depois, a história se repete em São Januário.
Provérbio do campo
Da série ‘‘Lições que o futebol me ensinou’’: É mais fácil dar brio a um jogador de talento do que dar talento a um jogador de brio.
Rápidas e rasteiras
- A mãe-pátria agradece às moças do vôlei pela madrugada de domingo. Madrugada épica. Uma jogadora pra simbolizar o triunfo brasileiro? Leila. Todas andaram esplêndidas, mas Leila transcende o jogo. Emociona mais porque se emociona mais. Poreja adrenalina. Corta e chora.
- Diz o presidente Kleber Leite que a promoção do dinheiro de volta deu certo. Pois sim! Quando é que o Flamengo entra nessa de novo? Nunca! Aquilo é insanidade misturada com demagogia barata.
- Washington Rodrigues tentou invadir o campo pra fustigar o árbitro de Flamengo x Portuguesa. Quando voltar ao microfone, ficará difícil pra ele, comentarista, criticar Eurico Miranda por atos semelhantes. Apolinho, fique certo de que, sem você, o radiojornalismo fica mais sem graça. Por outro lado, com você na pele de cartola, o Flamengo não melhora nada, nada. Um conselho: volte ao microfone, de onde você nunca deveria ter saído.
- Giovanni e Rivaldo abrem o jogo: acham Roberto Carlos um cara muito prosa que fala mal dos colegas e só pensa em dinheiro. O julgamento não deve surpreender ninguém. Se presunção desse flor, Roberto Carlos seria a rainha das flores.
- Luisão em crise no Vasco. Foi até proibido de entrar no clube porque sumira da concentração. Aparentemente, um ato de indisciplina. Na verdade, Luisão estava machucado, não poderia ser útil ao time. E como lhe batesse uma doce saudade de Rubinéia, terra querida, Luisão mandou-se pra lá. Foi dar um pulinho em Pasárgada, onde é bem mais que amigo do rei - é o próprio rei.
- Justíssima a convocação de Jackson, do Sport, por Wanderley Luxemburgo. O rapaz é muito bom de bola. Como bom de bola é a equipe toda do Sport do Recife, a qual, por onde passa, vai deixando a melhor impressão.
- Vocês têm notado como é arrogante e impiedoso o pai do iatista Guilherme, autor da tragédia de Lars Grael? O homem, querendo defender o filho indefensável, tem agredido o herói olímpico, com absurdas insinuações de doping. Carlos Nuzman, presidente do COB, faz muito bem em interpelar, judicialmente, o sinistro personagem.
- Ainda o Comitê Olímpico: não será o Comitê Internacional e sim o Nacional o órgão que vai apertar o cerco do antidoping no dia-a-dia dos atletas brasileiros.
- A arbitragem do campeonato nacional de futebol perdeu a cerimônia: agora, qualquer equipe forma a barreira a seis, sete metros da bola. Uma desfaçatez. Jogadores como Marcelinho já estão treinando falta com barreira a seis metros de distância. Enquanto isso, Armando Marques, moita.
- Abençoada a semântica que me permite dizer: ‘‘Na pequena área, Romário golfeja...’’

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