Sai a nova convocação da CBF. Um elenco repleto de esperanças. Não chega a ser a Seleção. Seria um projeto de Seleção. Percebe-se que a comissão técnica de Luxemburgo quis privilegiar a nova geração. Talentos como Felipe e Pedrinho não poderão, amanhã, reclamar que não tiveram sua chance. Quem pode reclamar é o França, do São Paulo, um atacante de grande valor e que não foi convocado. Ou o Jardel, que é uma excelente opção de goleador e que acaba preterido pelo também varapau Christian, do Inter, que também tem seu valor, na hora de mudar de estilo de atacar.
A nota de realismo da convocação é a presença, na meia-cancha, de gente de talento e gente de suor. Tem Vampeta e Alex, mas tem também Rogério e Alexandre.
Por aí, dá pra perceber que o modelo na nova Seleção é exatamente o do Corinthians: uma equipe capaz de aliar finesse e bravura. Luxemburgo escalará, de saída, sempre, a fina flor. Mas, se tiver que recorrer à força física, não vai pensar duas vezes. É assim que se dá com o Corinthians. Se a coisa fica feia, no segundo tempo, sai um artista e entra um guerreiro. Futebol-arte, sim, mas sem desprezar as armas do realismo. No mais, é deixar correr o barco. A primeira convocação tem caráter experimental. É laboratório. E não poderia ser de outro modo. Afinal, a Seleção está começando a trocar de mãos e de pés também.
Em tempo: a entrevista coletiva de Wanderley Luxemburgo, anteontem, foi conduzida por Carlos Lemos. Trata-se de um dos mais respeitados jornalistas da minha geração. É muito bom pro futebol brasileiro que a CBF e a Seleção tenham um porta-voz da envergadura de Carlos Lemos.
Expresso e expressinho
O Vasco da Gama está esnobando: tem dois belos times, enquanto seus grandes rivais do Rio não chegam a ter um. Um dia, joga o Expresso da Vitória, no outro dia, joga o Expressinho. Por sinal, acaba de ocorrer com os dois o que acontecia há 50 anos, quando pintaram as duas equipes vascaínas: o Expresso perde, o Expressinho ganha. Na temporada de 48, o Expresso da Vitória foi jogar o sul-americano de clubes em Santiago do Chile. Por sua vez, o Expressinho ficou, no Rio, carregando a pedreira do campeonato carioca. Um vencia lá, o outro, cá. Na hora de decidir o campeonato, o Expresso, desce no Rio, campeão do continente. Era o rei da cocada preta. O Expressinho, humildemente, sai de cena. O Expresso vai decidir o título com o Botafogo. Favoritíssimo. Botafogo, campeão carioca, 3 a 1 no Expresso da Vitória.
A malha fina do doping
O flagelo do doping passou da conta. A secura do dinheiro, mais que a própria fama, está levando à insanidade atleta de qualquer modalidade. É escândalo no ciclismo, na natação, no atletismo, no futebol, no basquete da NBA, no halterofilismo, o diabo a quatro.
Agora, o Comitê Olímpico Internacional está se dando conta de que a ganância vai matar, literalmente, o atleta e, com ele, o esporte. A palavra de ordem, em recente reunião do COI, é a seguinte: dos bilhões que recebe da televisão, o Comitê vai gastar uma bolada, criando uma brigada médica pra dar incertas pelo mundo afora. A comissão médica do COI sabe que não adianta mais fazer exame antidoping durante a Olimpíada. Dificilmente vai apanhar alguém no crime. Hoje, o atleta já é capaz de estabelecer, com rigor científico, a hora certa de parar com a droga, dias e dias antes da competição. Ele entra na Olimpíada cheio de estímulos artificiais e não há laboratório que identifique o mais remoto sinal de doping. A ciência do mal tira de letra a vigilância do COI. Daí, a idéia de sair fazendo incertas, ainda em pleno período de treinamento. Só assim muita gente pode cair na malha fina do COI.
Rápidas e rasteiras
- Devo uma explicação ao leitor Felipe Kezen. Ele estranha que eu tenha omitido a Argentina quando escrevi, outro dia, sobre o insólito ranking de seleções do século, feito pela Fifa. Deus me livre de questionar um futebol como o argentino. É uma das minhas mais antigas e mais fervorosas admirações. Foi um vacilo pelo qual me penitencio.
- O garoto Rodrigo, do Flamengo, desconsolado: ‘‘Deus nos deu uma cruz e temos que carregá-la.’’ Cruz o Senhor também deu ao Vasco, amigo, mas com uma diferença: a rubro-negra é de ferro maciço, a do Vasco, de isopor.
- Renato Maurício do Prado está lançando ‘‘Deixa que eu chuto’’, um delicioso livro de histórias, muito bem contadas, sobre esporte em geral e futebol em particular. O Renato, colunista do ‘‘O Globo’’, é divertido, seja escrevendo, seja falando sobre os personagens do esporte. Ele tem o raro dom de dizer brincando, todas as verdades que os cartolas precisam ouvir.
- Rafael de Almeida Magalhães está desapontado com o mercantilismo no esporte. Eis trecho de uma bonita carta que me escreveu o ilustre peladeiro dos bons tempos do futebol de areia: ‘‘O capitalismo selvagem invadiu o esporte. E o transformou, antes de tudo, num negócio. Lucrar, lucrar. Às favas com o esporte, se o esporte interferir no negócio.’’
- Tenho dito que Armando Marques não dá a menor bola pra imprensa. Ainda assim, não deixarei de lhe fazer uma pergunta: por que os árbitros consentem a presença dos técnicos, o tempo todo, à beira do campo? A norma dispõe que o técnico deve ficar sentado no banco de reservas. Só eventualmente, lhe é permitido chegar à borda do campo pra dar um ‘‘plᒒ e logo voltar a seu posto, sentadinho. A figura do técnico ali, em pé, gesticulando, é um fator
de pressão psicológica. Atiça jogadores e torcida contra a arbitragem.
- O que é, o que é que quando mete os pés pelas mãos costuma fazer bobagens? Resposta pro ‘‘site’’ Jornal do Armando Nogueira, endereço aí em baixo...
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