Na grande área (Armando Nogueira)
Um psicólogo na seleção? Já não é sem tempo. Ronaldinho talvez não tivesse pirado na Copa. Em que pese o laudo médico do charlatão Roberto Carlos, aquilo não foi ataque epilético, coisa nenhuma. Foi stress mental, mesmo. A vida do rapaz era uma panela de pressão. De repente, explodiu. Quando a cuca funde, quem paga o pato é o corpo.
Acabo de ler no livro Corpo, Mente e Esporte o caso de um atleta americano de caratê chamado Steve Bennet. O rapaz tinha um técnico que o punha nas nuvens. Dizia que ele era o máximo. Que não podia perder uma luta, jamais. De tal modo encheu a cabeça do rapaz que o sucesso acabou virando uma obsessão na vida de Steve.
Era o maior e ponto final. Steve não tinha mais nem o direito de se sentir cansado. Quando ameaçava jogar a toalha, num treino, o técnico reagia, implacável: Você é um fraco!
A pressão do sucesso chegou a tal ponto que Steve passou a ratear. Sempre, na véspera de uma luta, entrava em pânico. Tinha insônia, tinha acessos de ansiedade. Uma noite, antes de entrar no tatame, começou a suar frio. Primeiro, as mãos; depois, o corpo todo. O coração disparou. Baixou-lhe uma tremedeira, da cabeça aos pés. Teve um colapso físico e mental. Quase morreu. Diagnóstico: stress físico e mental.
Essa história é ou não é a cara do Ronaldinho? Se eu fosse esse menino, já teria trocado um dos três empresários que lhe sugam a alma por um bom psicólogo.
Nada mais desumano que o credo do esporte de alta competição: A vitória não é qualquer coisa; é a única coisa!
Te cuida, Luxemburgo!
Wanderley Luxemburgo é a bola da vez da imprensa. Como ainda nem existe seleção, o noticiário andou se ocupando mais dos aspectos pessoais do personagem. Já denunciaram que o novo técnico usa unhas polidas. Já espinafraram o estampado de suas gravatas. Já descobriram que o homem é muito vaidoso. Já disseram que Luxemburgo tem mais fé em Exu que em Deus.
Luxemburgo já avançou um pouco, falando de comissão técnica. É de se esperar que, desde já, Luxemburgo esteja lendo (ou relendo) Maquiavel. Em matéria de jogo de poder, o florentino era o fino. Que Luxemburgo leia, por exemplo, O Príncipe. Está tudo lá, bonitinho. Verás, meu bom Luxemburgo, que não basta escolher o técnico-assistente, o preparador-físico, o médico. Nos bastidores da CBF, há uma igrejinha cheia de santinhos. Na primeira chance, eles te passam a perna. Até agora, que se saiba, permanecem lá, intocados, todos os membros do poder até então dominante. A não ser o médico, ninguém mais foi ao vento. Todos mantêm o assento.
Te cuida, Luxemburgo!
50 anos depois...
O Vasco da Gama vive, em pleno centenário, o mesmo momento de esplendor que viveu no cinquentenário. A coincidência é impressionante. Em 48-49, o Vasco da Gama, que já pintara campeão invicto em 45, tinha, como hoje, dois times: o principal - que se chamava o Expresso da Vitória - e o reserva, chamado Expressinho. Era pura delícia ver em campo o Expresso da Vitória, com astros da envergadura de Barbosa, Jair da Rosa Pinto, Ademir Menezes, Danilo Alvim, Chico Aramburu e Djalma. E quando o timaço saia pelo mundo, em excursão, entrava em campo o Expressinho, que era um transtorno pras equipes titulares do Fluminense, do Botafogo e do Flamengo. Já pensou: Ipojucan, Maneca, o ponta-esquerda Mário que driblava defesas inteiras? Tudo fera, comendo a bola no time suplente.
O Vasco 1 e o Vasco 2, de hoje, são a reencarnação do Expresso e do Expressinho.
Benza-te Deus, Vasco da Gama.
Rápidas e rasteiras
- Esta semana, estive em Belo Horizonte, lançando o livro O Canto dos Meus Amores no Teatro Alterosa. A noite de autógrafos fez parte do encontro Sempre um Papo em que foi apresentado também um documento precioso: o CD-Rom 100 anos de Paixão. A obra traz tudo sobre o futebol brasileiro, desde Charles Muller. É uma pesquisa de fôlego feita pelos cronistas esportivos mineiros Wagner Seixas e Daniel Gomes.
- Paula e Branca, as irmãs do basquete, estão cobrando na justiça salários que a Microcamp deixou de pagar quando as duas jogavam pela equipe de Campinas. É certo que a empresa não vai escapar dessa. Terá que pagar os atrasados das moças. O que espanta ainda mais nessa história é que, com a cara mais lavada deste mundo, a Microcamp já partiu pra outra: vai patrocinar a equipe masculina de basquete de Barueri, cujo astro maior é Oscar. Pois o mão santa que se cuide.
- Muita gente subscreve o pedido que fiz a Wanderley Luxemburgo pra acabar com a coreografia das mãos dadas com que a seleção entra em campo. Todos estão contra a dança do caranguejo. A começar por Matinas Suzuki, que, na sua celebrada coluna, está comigo. Além do Matinas, outras pessoas têm se manifestado, todos no tom do seguinte e-mail da leitora Laís: Até que enfim, alguém escreve sobre o ridículo da cena de 11 homens entrando em campo, aos olhos do mundo inteiro, como se fossem crianças de escola primária, saindo de mãos dadas com a professora para não se perderem...
- Max Nunes, desolado com a agonia do seu querido América F.C. O América não tem mais torcida, tem testemunhas...
- A galera do tênis não gostou que eu brincasse com os dois aviões de André Agassi a quem mencionei na rabeira do ranking. Alto lá, amigos: tenho por Agassi uma admiração fervorosa. Só a resposta de serviço dele já merece a minha reverência. Desculpe o mau jeito. Sei que ele já é de novo Top Ten.
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